Parte 48 Móretar - Poder Humilde · Capítulo 48 de 49
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Parte 48

Móretar segurou Carl antes que ele caísse.

A luz sob sua pele pulsava na direção da arma carregada por Adwig. Cada pulso arrastava seu corpo alguns centímetros pelo chão.

— Coneli! — chamou Móretar.

Ela chegou com Hertho. Os dois tentaram desligar o equipamento preso ao braço de Carl, embora a energia já não passasse por ele.

— É o Cálice — disse Carl. — Ele quer se reunir às outras armas.

— Então vamos afastar você daqui.

Móretar criou uma corrente de ar em direção às colinas. Carl conseguiu dar dois passos. A atração cresceu e o fez cair novamente.

Gabriel absorveu o último anjo.

O campo perdeu todos os sons durante uma batida do coração.

Quando ele abriu os olhos, Adwig diminuiu a corrida. A arma reunida pressionava os braços dela para baixo. Ataques lançados de vários pontos paravam antes de tocar Gabriel e se dissolviam no ar.

Ele ergueu a mão.

Athos abriu um portal junto ao braço e atravessou o próprio corpo para prendê-lo. Elaryan conteve o outro. Gabriel lançou os dois para longe, mas Adwig conseguiu avançar mais um passo.

Carl se soltou de Móretar.

— Fique aqui — ordenou Móretar.

Carl começou a correr.

Móretar tentou alcançá-lo. A ausência de Excalibur alterava sua força e o controle do vento. Uma onda disparada por Gabriel abriu uma fenda entre os dois.

Dafa lançou água sobre a abertura e criou apoio suficiente para Móretar atravessar. Quando ele alcançou a outra margem, Carl já corria ao lado de Adwig.

— O Cálice amplia o poder de outra arma? — perguntou Carl.

— Foi feito para isso — respondeu ela.

Ele perdeu velocidade. O medo apareceu em seu rosto antes que tornasse a olhar para Gabriel.

— Então precisa sair de mim.

— Podemos encontrar outra maneira.

— Não antes que ele alcance você.

Adwig tentou detê-lo.

Carl se lançou contra a lâmina.

O corpo desapareceu.

Móretar chegou tarde o bastante para sentir a energia do Cálice atravessar o campo. Adwig voltou a se mover. Entrou sob o alcance de Gabriel e cravou a arma em seu peito.

A lâmina atravessou o coração.

Gabriel segurou o braço dela.

— Posso morrer. Voltarei em outro corpo.

Elaryan surgiu ao lado dele.

— Desta vez, não.

Ela apertou o coração preso à espada e disparou uma descarga pelo corpo de Gabriel. Os olhos dele perderam a luz. Sua forma desapareceu, e a energia que abandonaria o crânio ficou retida na arma.

Adwig cambaleou quando a resistência terminou.

Móretar correu até o ponto onde Carl desaparecera. Não havia corpo, Cálice ou vestígio que pudesse alcançar. O brilho acrescentado à arma continuava visível entre as outras cores.

— Tire-o daí — pediu a Adwig.

Ela ainda tentava sustentar a lâmina.

— Eu não sei separar as peças.

Elaryan segurou a arma e cortou a própria mão. A lâmina deixou de responder a Adwig.

Athos se aproximou.

— Devolva. As peças precisam ser separadas.

— Reunidas, podem proteger todos até o fim — respondeu Elaryan.

— E quem decidirá o que significa proteger? — perguntou Móretar.

Ela olhou para ele.

— Quem conseguir conservar esse poder.

Móretar lançou uma rajada para arrancar a arma de suas mãos. A energia se desfez antes de alcançá-la.

Athos avançou. Elaryan abriu uma passagem atrás de si. Ele segurou o braço dela, e os dois desapareceram com a arma.

Móretar permaneceu diante do espaço vazio.

Dafa chegou ao seu lado.

— A espada me devolveu — disse ela.

— Eu estava com ela.

— Carl pode continuar na arma.

— E a arma acabou de atravessar o tempo nas mãos de alguém que não pretende devolvê-la.

Ele voltou a procurar pelo campo. Chamou Carl uma vez. Hertho e Coneli examinaram a fenda, as pedras e o lugar onde a lâmina o recebera. Encontraram apenas o suporte queimado do equipamento.

Ao redor deles, a batalha havia terminado. Sobreviventes retiravam feridos, cobriam corpos e chamavam pessoas que não voltariam. A chuva vermelha enfraqueceu até desaparecer.

Médera abraçou Teleret perto do corredor destruído. Krakor ajudava os elfos a mover as pedras. Adwig continuava imóvel onde perdera a arma, amparada por Mantelar.

Um portal se abriu no lugar onde Gabriel morrera.

Trovar atravessou sozinho.

— A batalha terminou — disse. — A disputa, não.

Móretar caminhou até ele.

— Onde está Carl?

Trovar observou o campo e demorou a responder.

— A partícula dele pode ter permanecido no Cálice quando as armas se uniram.

— Pode?

— Nunca vi aquela arma receber alguém dessa forma. Se o Cálice preservou a ligação, Carl foi levado com Elaryan.

— Traga os dois de volta.

— Eles foram para perto do fim. Não consigo alcançar o ponto exato em que estão.

Móretar segurou Trovar pela roupa.

— Excalibur devolveu Dafa. Você sabe que isso é possível.

— Dafa entrou apenas em Excalibur, e a espada continuou em suas mãos. Carl foi absorvido por uma arma composta. Eu não vou prometer que ele retornará.

Móretar o soltou.

Hertho se aproximou com o suporte queimado. Entregou a peça a Móretar.

— Foi o que restou aqui.

Carl usara o mesmo aparelho para afastar um anjo de uma mulher caída. Pouco depois, brincara que Móretar deveria avisá-lo antes de repetir o erro cometido em Ux.

Móretar fechou a mão sobre o metal.

— Eu avisei.

— Ele ouviu — disse Dafa.

Móretar sentou entre as pedras. Carl tivera medo. Ele vira isso no rosto do amigo. Ainda assim, Carl correra e desaparecera antes que alguém encontrasse outra saída. Móretar queria o amigo de volta; qualquer explicação parecia pequena.

Meili veio das colinas com a relação dos que haviam alcançado os abrigos. Outros grupos começaram a registrar os desaparecidos. Alguns nomes eram acompanhados por relatos de retorno em outro planeta. Os que haviam sido atingidos no peito permaneciam sem resposta.

Móretar acrescentou Carl à lista.

Ao lado do nome, escreveu apenas que fora levado com o Cálice.

Trovar esperou até ele se levantar.

— Athos e Elaryan passarão pouco tempo onde estão — disse. — Para nós, podem ser vinte e cinco anos.

Móretar olhou para as colinas, para os feridos e para os grupos que tentavam compreender o que ainda possuíam.

Se Carl permanecesse na arma, dependeria de alguém alcançá-la. Se tivesse desaparecido, nenhum título mudaria isso.

Havia vinte e cinco anos entre aquela perda e uma possível resposta.

Móretar guardou o pedaço do equipamento.

— Então vou estar aqui quando eles voltarem.

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