Parte 39 Móretar - Poder Humilde · Capítulo 39 de 49
Obra Menu

Parte 39

A música recomeçou em ritmo de valsa.

As linhas no chão indicaram o primeiro passo. Móretar avançou tarde, Adwig foi para o lado errado e os dois quase se chocaram. Riram enquanto retomavam a posição.

— Começamos muito bem — disse ela.

— Ninguém percebeu.

O público ao redor acompanhava cada movimento.

— Todos perceberam.

Na segunda sequência, conseguiram seguir a marca luminosa. Uma corrente de ar passou por Móretar e sugeriu o giro. Ele levantou a mão. Adwig girou sob o braço dele e voltou mais perto do que esperavam.

Outros participantes se distribuíam pela pista. Algumas duplas seguiam as indicações; grupos maiores improvisavam. Krakor e Médera abandonaram os passos depois da primeira volta e criaram um ritmo próprio. Hermes assistiu ao desvio com sofrimento visível.

Móretar e Adwig começaram a encontrar uma cadência. Quando uma linha subiu pela lateral da pista, compreenderam que o Palácio sugeria uma elevação. Ele sustentou Adwig pelo vento, e ela controlou a própria queda até retornar aos braços dele.

Os convidados aplaudiram.

— Eles estão empolgados — falou Adwig.

— Espero que não tenham visto o começo.

A música diminuiu. Os dois dançaram próximos.

— Seu perfume é muito bom — disse Móretar perto do ouvido dela.

— Não uso perfume. Esse é o meu cheiro.

Ele sorriu. Os rostos permaneceram perto. A conversa anterior não desaparecera; atração, Mantelar, Dafa e Médera continuavam ali. Nada disso reduziu a vontade que crescia entre os dois.

Quando a música terminou, Móretar não se afastou.

Beijou Adwig.

Ela segurou seu rosto e prolongou o beijo. O salão, as perguntas e o público perderam importância até uma voz atravessar a festa.

— Athos!

Móretar e Adwig se separaram.

Emma estava diante dos portões, acompanhada por Raquel, Darca, Leiva e muitas guerreiras. Athos levou a mão à espada. Móretar fez o mesmo. Adwig já segurava o cetro.

— Quem veio comigo? — perguntou Athos. — A mulher que conheci ou alguém ainda submetido a Elaryan?

Emma parou antes de entrar.

— Nenhuma das duas. Vim pedir ajuda para pessoas que podem não sobreviver ao fim do Universo. Também vim responder pelo que fiz enquanto Elaryan me controlava.

— Essa influência explica alguma coisa — disse Adwig. — Não encerra a conversa.

— Eu sei.

Emma atravessou os portões. Aproximou-se de Athos e o abraçou. Começou a pedir desculpas, perdeu a voz e permaneceu junto dele até conseguir respirar.

Depois se voltou para Adwig e Dafa.

— Também devo explicações a vocês.

Dafa cruzou os braços.

— Vai precisar de tempo.

— Teremos uma reunião pela manhã — disse Athos. — Contaremos o que aconteceu em cada frente e decidiremos o que ainda pode ser reparado.

Indicou as áreas públicas do Palácio, os quartos disponíveis e as saídas. Parte das guerreiras preferiu descansar. Outras entraram no salão quando a música voltou.

Móretar encontrou Adwig outra vez. O beijo não se repetiu. Continuava entre eles, recente demais para ser ignorado.

Dafa se aproximou e estendeu a mão para Adwig.

— Você ainda me deve uma dança.

As duas foram para a pista. Não seguiram a valsa. Misturaram passos aprendidos em lugares diferentes e riram quando nenhum movimento combinava com a música. Móretar acompanhou por algum tempo, até Médera surgir ao seu lado.

— Está surpreso? — perguntou ela.

— Tentando entender.

— Talvez a festa não seja o melhor lugar para isso.

Médera foi procurar Krakor antes que ele perguntasse mais.

Emma mudou a música e organizou uma fila. Cada pessoa segurava a cintura de quem estava à frente. Krakor entrou antes de descobrir a regra.

— Onde aprendeu isso? — perguntou ele.

— Numa casa noturna da Cidade do México, na Terra. Início dos anos dois mil.

— A Terra sabia fazer festas.

O baile perdeu o restante da cerimônia. Duplas se desfizeram, grupos se misturaram e até Hermes deixou de tentar corrigir os movimentos.

Algum tempo depois, Athos chamou Athena, Trovar e Sussurro. Precisavam descansar e organizar as informações recolhidas.

— Reunião neste salão dentro de dez horas — anunciou. — Quero que cada grupo traga o que sabe antes de decidirmos os próximos passos.

Adwig concordou. Móretar ergueu a taça em resposta.

Quando a música diminuiu, encontrou Dafa e Adwig perto da escadaria.

— Você fica comigo esta noite? — Adwig perguntou a Dafa.

Dafa olhou para Móretar.

— Está convidando a mim ou a nós dois?

Adwig percebeu que formulara a pergunta antes de pensar no rapaz.

— Eu quero vocês dois. Ainda não perguntei se ele quer.

— Quero — respondeu Móretar.

A rapidez arrancou um sorriso de Dafa.

— Você ao menos sabe para onde estamos indo?

— Para a torre, imagino.

— Eu quis dizer de outra forma.

Móretar se aproximou dela.

— O que aconteceu entre nós foi importante para mim. Eu teria procurado você mesmo sem esta noite.

A ironia saiu do rosto de Dafa.

— Também foi importante para mim. Não sei o que vem depois.

— Nem eu.

Adwig permaneceu entre os dois.

— Eu ainda preciso encontrar Mantelar. Nenhuma parte disso desapareceu quando beijei Móretar ou quando convidei você.

Dafa estendeu uma mão para cada um.

— Então vamos antes que algum de nós recupere o juízo.

Móretar segurou sua mão. Adwig fez o mesmo.

Subiram sem se despedir dos outros.

1/1
Menu

Fazer anotação