Parte 40 Móretar - Poder Humilde · Capítulo 40 de 49
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Parte 40

A escadaria para a torre parecia maior a cada lance.

As paredes misturavam rosa, azul-claro e preto. Ornamentos delicados dividiam espaço com pedras escuras e metais de cortes irregulares.

— Tudo isso saiu da sua cabeça? — perguntou Dafa.

Adwig passou a mão pela parede.

— Hermes encontrou uma forma para coisas que eu nunca conseguiria descrever.

— A torre fica em outro planeta? — perguntou Móretar.

— Espero que a distância signifique que ninguém chegará por engano — respondeu Adwig.

No alto da última escada havia uma porta imensa. Adwig a abriu.

O quarto lembrava os templos das Fadas que Móretar conhecera, embora reunisse elementos que jamais vira em Inc. Sob o piso transparente, nuvens se moviam devagar. Uma fonte lançava água vermelha para o alto. As gotas alcançavam o teto e desciam pelas paredes até desaparecer sob o chão.

Borboletas acompanhavam o fluxo. Reuniam-se acima da fonte, espalhavam-se pelo quarto e voltavam à formação inicial.

— Borboletas? — perguntou Móretar.

— Minha simbiose — disse Adwig. — É uma família.

Dafa observou as criaturas.

— O Palácio mostrou uma parte sua que costuma ficar escondida.

Adwig soltou a primeira peça da roupa. Olhou para os dois antes de deixá-la cair.

Móretar se aproximou. A hesitação durou até ela puxar seu rosto e beijá-lo.

O toque começou lento. Logo perdeu a cautela. A pele de Adwig alternava calor e frio, atravessada por pequenas descargas que faziam os dois rir entre um beijo e outro. Móretar reconhecia as reações dela pela força com que o segurava e pelo modo como a respiração se quebrava.

Dafa retirou a própria roupa e se acomodou diante deles. Observava sem esconder o prazer. Adwig gostava de ser vista por ela.

Móretar desceu pelo corpo de Adwig. Beijou seu ventre, suas pernas e a encontrou com a boca. Ela arqueou as costas, agarrou o tecido sob as mãos e deixou o som do prazer atravessar o quarto.

Quando voltou a subir, Adwig o recebeu entre as pernas. O ritmo nasceu apressado. O beijo impedia qualquer conversa, e nenhum dos dois procurava palavras. Chegaram ao limite com poucos movimentos de diferença e permaneceram próximos enquanto recuperavam o ar.

Dafa deixou a poltrona. Beijou os pés de Adwig e seguiu pelas pernas.

— Agora eu quero você.

Adwig a puxou. As duas se beijaram.

Móretar observou até Dafa procurar sua mão e levá-la ao próprio corpo. O convite bastou. Ele se posicionou atrás dela. O primeiro movimento empurrou Dafa contra Adwig, que perdeu o fôlego entre surpresa e prazer.

Dafa abriu o contato mental. Sensações atravessaram os três sem arrastar pensamentos junto delas. O corpo de um alcançava os outros em ondas de calor, tensão e prazer.

Trocaram posições e iniciativas. Em alguns momentos, Móretar apenas observava. Em outros, já não sabia distinguir qual reação começara nele. A urgência inicial cedeu a um ritmo menos desordenado, e a noite se prolongou até o cansaço apagar qualquer preocupação com o tempo.

Adwig ficou deitada olhando as borboletas acima da fonte.

Dafa percebeu a mudança em seu rosto.

— Mantelar?

— Sim.

Móretar se aproximou e parou antes de deitar ao lado dela.

— Você se arrependeu?

— Não. Eu quis tudo o que aconteceu. Ainda preciso encontrá-lo, e isso não ficou mais simples.

— Quer que eu saia?

Adwig virou o rosto para ele.

— Não quero ficar sozinha. Só não tente fazer desta noite uma resposta.

— Eu também não tenho uma.

Móretar deitou ao lado dela. Adwig encostou a cabeça em seu ombro. Dafa ocupou o outro lado da cama e apoiou uma perna sobre os dois.

— Já viram o tamanho deste lugar? — perguntou Dafa. — Podemos dormir sem solucionar a vida antes da reunião.

O contato permaneceu. Não afastou as perguntas e também não estragou a lembrança do que haviam escolhido por impulso.

Móretar adormeceu abraçado às duas.

Quando despertou, estava sozinho.

A fonte continuava lançando água para o teto. As borboletas mantinham o mesmo percurso. Durante alguns segundos, ele tentou descobrir quanto tempo passara.

O cheiro de Adwig permanecia em sua pele. Havia também marcas do corpo de Dafa e a lembrança do contato mental entre os três.

Sentou-se na cama.

Não esperava que a noite resolvesse nada. Ainda assim, acordar sem as duas trouxe uma sensação de ausência que não soube explicar. Talvez quisesse uma conversa. Talvez apenas desejasse ter visto uma delas ao abrir os olhos.

Tomou banho. O Palácio ofereceu roupas novas, mas Móretar escolheu as mesmas que usara na festa e refez os ajustes por conta própria.

Antes de sair, olhou outra vez para a fonte. As borboletas se separaram e voltaram a se reunir.

Desceu para procurar Dafa e Adwig.

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