As Algas Mágicas Fúria das Águas · Capítulo 3 de 51
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As Algas Mágicas

No meio do mar havia algo semelhante a uma redoma, sustentada por fogo em vez de ar. Chamas esverdeadas enfrentavam a pressão da água, e o encontro dos dois elementos espalhava centenas de tonalidades que surgiam e desapareciam antes que os olhos pudessem fixá-las.

A Rainha das Águas aproximou-se deslizando pela superfície. Ao chegar perto das chamas, parou. Ficou alguns instantes diante da redoma de fogo verde, com o cetro junto ao corpo, e começou a se despir. Retirou a roupa imponente peça por peça até ficar completamente nua diante das chamas.

Uma alga pousou em seu braço. O contato foi leve; a dor apareceu no grito. O som moveu a água ao redor em ondas concêntricas. Outras vieram em seguida, primeiro algumas, depois dezenas, até se tornarem impossíveis de contar. Cobriram seus braços, pernas, costas, pescoço, ventre e rosto. A cada toque, a Rainha arqueava, tremia e cerrava os dentes, mas continuava em pé.

O próprio enxame parecia mantê-la ereta. As algas brilhavam sobre sua pele, e cada movimento provocava outra contração. Com esforço, ela moveu um pé para a frente, depois o outro, e avançou em direção às chamas.

Quando entrou completamente no fogo, uma explosão de luz tomou a redoma. As chamas verdes se expandiram, envolveram o corpo coberto de algas e se extinguiram. As algas passaram a responder aos movimentos dela. A Rainha respirou fundo, recolocou as vestes e ergueu a mão. Um jato de água a carregou em grande velocidade até a entrada de seu Castelo.

As paredes do palácio misturavam branco, azul e transparência. Correntes passavam por dentro delas em direções diferentes. Quando a Rainha se aproximou, o portão não girou nem se deslocou: um buraco se formou no centro e afastou a matéria líquida para permitir sua passagem. Gotas caíram pelas bordas. Todo o Castelo era feito de água mantida em forma por uma força invisível.

Havia poucas guardiãs nos corredores. Vestiam maiôs adaptados à função militar e seguravam lanças curtas de pedra escura e polida, cada uma com uma alga presa na ponta. As mulheres se curvavam quando a Rainha passava.

— Natane, não precisarei dos seus serviços pelo resto da noite — disse a Rainha ao se aproximar da porta de seus aposentos, dirigindo-se a uma guardiã muito alta, de quase dois metros, cuja postura indicava liderança entre as demais. — Vá descansar e avise às guardiãs do palácio que a noite será de folga.

— Sim, minha Rainha. Obrigada — respondeu Natane. Antes de sair, ela olhou para os corredores e para a porta protegida, preocupada demais para alguém que havia acabado de ganhar uma noite de folga. Mesmo assim, não questionou a ordem.

A Rainha tocou a porta e moveu as mãos. A água se afastou, abrindo caminho. Dentro dos aposentos, caminhou até uma das paredes e apontou para ela. Uma alga tocou a superfície e transformou a água em uma tela. Aos poucos, a imagem de um homem se formou.

— A Rainha tem novidades para mim? — perguntou ele, calmamente, e a pergunta, apesar da suavidade, soou menos como curiosidade do que como cobrança aguardada havia muito tempo.

O homem tinha poucos cabelos grisalhos, rosto liso, olhos pequenos e queixo pontudo. Diante dele, a Rainha inclinou levemente a cabeça e evitou encará-lo.

— Lorde Poseidon, os templos de fogo estão muito poderosos — disse ela, em um tom sereno demais para ser apenas respeito. — Desta vez consegui centenas, talvez milhares de algas. Uma quantidade que nunca vi antes.

— Excelente, Raquel. Excelente — respondeu Poseidon. O nome retirou dela o título diante de quem realmente dava as ordens. — Isso significa que aquela garota é realmente quem esperávamos. Você sabe o que precisa fazer. Qualquer falha pode colocar em jogo todo o nosso plano e tirar de você seu poder.

A Rainha, Raquel, permaneceu imóvel. As algas ao redor pareciam sentir a tensão de seu corpo, oscilando em pequenas vibrações junto às paredes líquidas. Poseidon continuou, agora com a voz carregada de uma promessa que parecia cuidadosamente desenhada para atingir o ponto mais vulnerável dela.

— Nosso sucesso fará de você a Rainha de toda uma galáxia de mundos aquáticos. Você poderá sair deste planeta e voltar quando quiser. Alcançará o estágio de evolução que chamamos de nível quatro.

— Meu Lorde, seguirei todas as suas ordens — respondeu Raquel, e pela primeira vez desde o início da conversa ergueu os olhos para encarar a imagem dele.

Raquel sorriu. Ambição, devoção e medo dividiam espaço em seu rosto. Poseidon pareceu satisfeito.

— Se fizer isso, não se arrependerá. Não me decepcione, Raquel. Você tem o sangue dos Homens do Destino. Tem poder para mudar antigas profecias. Mas lembre-se: mudar o que está escrito é como nadar contra uma correnteza violenta. Será preciso ser muito forte. Conto com você, Raquel, e espero que em breve venha até mim pessoalmente.

Os olhos da Rainha brilharam. A imagem de Poseidon se desfez, e a parede voltou a ser apenas água em movimento. Raquel permaneceu diante dela, cercada por um Castelo que obedecia a cada gesto seu e ainda dependente da promessa de outro soberano. Por alguns segundos, teve a expressão de alguém que voltava a imaginar que a felicidade era possível.

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