Retorno Inesperado Fúria das Águas · Capítulo 32 de 51
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Retorno Inesperado

Quando voltei a Athos, muito tempo havia passado para mim e quase nenhum para ele. Minha missão era dizer que precisava levar Adwig e esperar o portal de retorno.

Elaryan não me explicou por que Adwig era necessária. Também não permitiu que Raquel viesse comigo. Depois do treinamento, a separação pareceu outra maneira de lembrar quem controlava nossos destinos.

Athos falava sobre Vésper e a alteração do tempo quando apareci.

O grupo reagiu como se eu tivesse interrompido uma conversa iniciada minutos antes. Para mim, havia semanas de distância entre aquele encontro e a última vez que os vira. Não tentei explicar. Eu já não sabia qual parte do que vivera poderia contar sem comprometer Carlos, Raquel ou as crianças.

— Elaryan já conhece essa passagem — avisei. — Preciso levar Adwig.

Adwig decidiu ir. Dafa tentou impedi-la, lembrando o sacrifício de Móretar. A discussão misturou estratégia, medo e sentimentos que eu não compreendia.

Athos tentou intervir, mas as duas falavam uma com a outra como se o restante do grupo tivesse desaparecido. Dafa não suportava vê-la partir para outra decisão tomada por Elaryan. Adwig considerava que ficar poderia colocar todos em perigo.

Dafa tomou a adaga da cintura de Adwig. As duas caíram. Adwig acionou a segunda lâmina da arma. Juntas, puxaram o cabo e perfuraram os próprios corações.

Desapareceram.

Fiquei com a mão estendida para um lugar onde já não havia ninguém. Eu fora enviada para buscar Adwig e terminara assistindo à morte das duas. Não sabia se havia falhado ou cumprido exatamente a função esperada.

O portal de Elaryan se abriu. Retornei a End, onde ela e Raquel esperavam.

— O que aconteceu?

— O que precisava acontecer — respondeu Elaryan. — Sua tentativa de apenas cumprir a ordem também fazia parte do caminho.

— Você sabia que elas morreriam?

— Eu sabia que essa possibilidade existia.

Ela escolheu as palavras com cuidado. Possibilidade podia significar risco, previsão ou lembrança. Quando pedi que explicasse, Elaryan desviou a conversa para Vésper.

Ela disse que fluxos antes separados começavam a se encontrar e que Vésper estava ameaçado. Não explicou como isso aconteceria. Tratou o fim como acontecimento conhecido, ainda distante para mim e próximo para ela.

End guardava cidades, comunidades e objetos recolhidos muito antes da criação de Vésper. Elaryan o chamava de refúgio, embora tudo ali dependesse de sua decisão sobre quem merecia ser preservado.

Algumas construções pareciam pertencer a povos que eu nunca encontrara. Outras reuniam estilos incompatíveis, como se tivessem sido trazidas de lugares separados por distâncias maiores do que qualquer viagem. Havia habitantes, mas poucos se aproximavam da fortaleza.

— Se sabe que o fim se aproxima, o que ainda procura? — perguntou Raquel.

— Saber se existe alguma coisa depois. Conheço o caminho até o limite. Não conheço o que pode estar acima dele.

Não perguntei como alguém poderia conhecer o caminho para um fim que ainda não acontecera. A pergunta permaneceu comigo, mais incômoda do que qualquer resposta que ela provavelmente daria.

Ela abriu os portões da fortaleza. Deserto, floresta e cidades de formas incompatíveis ocupavam o mesmo horizonte.

— Athos estará ocupado. Vocês precisam descansar antes da próxima parte.

A palavra férias pareceu absurda depois de tudo. Elaryan a usou mesmo assim.

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