De Volta Para Casa Fúria das Águas · Capítulo 39 de 51
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De Volta Para Casa

O portal se abriu na sala onde eu havia deixado Carlos, Clara, Eric e Natane. Meus filhos correram para me abraçar.

Elaryan estava sentada à mesa, bebendo café.

— Sua família é encantadora — disse. — Contaram histórias do Planeta da Felicidade. Carlos mal se lembrava do sabor disto, então trouxe grãos da Terra.

Coloquei Clara e Eric atrás de mim.

— Não entregarei as armas.

— Não vim buscá-las. Eu poderia ter tentado tomar a Varunastra de Varuna há muito tempo. Também fui eu quem devolveu a lança.

— Então por que está aqui?

— Para que não desperdice energia me procurando. Seu próximo movimento é seu. Se quiser encontrar Athos, o grupo passou a usar Fóster como ponto de encontro depois da destruição de Vésper.

Raquel se colocou entre ela e o portal.

— E Anúbis?

— Já deixou a experiência compartilhada com Seth — respondeu Elaryan. — Você não precisará de mim para encontrá-lo, embora o encontro não aconteça onde imagina.

— Onde ele está?

— A caminho do mesmo conjunto de planetas para onde trouxe as comunidades de Extern.

A resposta ainda era vaga. Pela primeira vez, porém, eu podia procurá-lo.

Elaryan deu informações suficientes para que eu localizasse o planeta, mas não repetiu a divisão completa do Universo. Depois se despediu de Carlos e das crianças e abriu um portal.

Esperei que desaparecesse para liberar a raiva. O chão tremeu.

— Eu tinha duas armas capazes de feri-la e não fiz nada.

Darca se aproximou.

— Varuna passou eras com uma delas e não conseguiu derrotá-la. Elaryan entrou aqui porque acreditava conhecer sua reação. Atacar no momento que ela escolheu não seria recuperar o controle.

Carlos e Natane me abraçaram. Beijei os dois.

— Desculpem por mantê-los dentro disso.

— Você também está dentro — disse Natane. — Não inventou a prisão só porque tenta abrir a porta.

Perguntei por Leiva.

Natane apontou para um quarto. Leiva retornara ao mesmo lugar depois que eu a matara. O caminho até Ben não se abrira e, desde então, ela se recusava a sair da cama.

Entrei. Leiva não abriu os olhos quando chamei seu nome.

— Emma…

— Estou aqui.

Ela despertou, sentou-se e me abraçou. Chorou pelo medo de não me rever e pela sensação de ter perdido Ben outra vez.

— Não vou prometer que encontraremos Ben — falei. — Prometo que levarei essa pergunta a Athos, a Elaryan e a qualquer pessoa que compreenda os planetas das crianças. Você não precisará procurar sem ajuda.

Leiva respirou contra meu ombro.

— Em Néon, eu pensava que precisar de alguém era fraqueza.

— E agora?

— Agora sei que fingir não precisar era mais fácil.

Natane estava perto da porta. Chamei-a e perguntei, sem rodeios, se ela e Carlos haviam se aproximado durante minha ausência. Os dois confirmaram.

Não senti traição. Senti alívio por saber que a vida continuara enquanto eu estava longe.

Convidei Carlos, Natane, Leiva e Raquel para passarem a noite comigo. Raquel hesitou e perguntou se o convite vinha de mim ou do desejo de provar que a festa de Elaryan não nos afetara.

— De mim — respondi. — E podemos parar antes mesmo de começar.

Raquel foi a última a se aproximar. Carlos apagou as luzes.

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