O Reencontro Fúria das Águas · Capítulo 26 de 51
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O Reencontro

Enquanto o soro agia, Elaryan falou dentro da minha mente.

Eu teria menos de trinta segundos. Precisava encontrar Carlos e as crianças, matá-los e permitir que renascessem em outro planeta do mesmo conjunto. A morte deles seria também meu caminho até o destino seguinte. Se eu chegasse ao lugar errado, teria de repetir o processo.

Não tive tempo para recusar.

Despertei diante de Carlos. Clara e Eric dormiam perto dele. Meu marido ergueu a arma, assustado, e eu cobri sua boca.

Ele me reconheceu antes que eu dissesse qualquer coisa. Baixou a arma, mas não a guardou.

— Emma?

Assenti.

— Temos trinta segundos. Preciso que mate as crianças e depois se mate. Ainda não podemos sair juntos. Preciso libertar os outros e prometo que encontrarei vocês novamente.

Carlos olhou para Clara e Eric. Depois tornou a olhar para mim.

— Como você sabe?

— Elaryan me trouxe. Não tenho como explicar nem provar agora.

Ele segurou meu braço.

— Se você estiver errada...

— Eu sei.

Carlos encostou a testa na minha por um instante. Quando se afastou, já havia decidido.

Beijei-o.

— Eu amo você.

Afastei-me e virei de costas. Carlos fora treinado para agir sob pressão, mas nenhum treinamento poderia preparar um pai para aquilo.

Ouvi três disparos.

Quando me virei, ele e nossos filhos já haviam desaparecido.

As outras crianças acordaram assustadas. Algumas presenciaram o que aconteceu. Corri até elas.

— Meu nome é Emma. Sou a esposa de Carlos. Pedi que ele fizesse isso porque precisamos romper o caminho que mantém vocês presos. Vou precisar da ajuda de quem conseguir me dar, mas ninguém é obrigado a lutar.

As crianças maiores ampararam as menores.

— Sou Luke — apresentou-se um garoto. — Carlos esperou muito por você. Acho que só não imaginava esse reencontro.

Ele contou que acompanhava Carlos desde o início daquela vida. Havia três meses que o grupo não precisava trocar de planeta por meio da morte.

— Você joga futebol? — perguntou.

A pergunta me atingiu mais do que qualquer explicação. Imaginei Carlos naquele bunker, ensinando brincadeiras enquanto organizava uma guerra.

Mochilas com armas e mantimentos já estavam prontas.

— Você consegue cuidar dos menores enquanto eu procuro quem controla os soldados? — perguntei a Luke.

— Consigo, mas nós conhecemos este planeta e você não. Numa guerra, poder não substitui preparação. Carlos ensinou isso.

Era injusto exigir liderança de uma criança, mas ele já a exercia.

— Chamamos o governante de Demente — continuou. — Ele fica no céu durante os ataques e absorve energia quando as crianças morrem. Carlos dizia que ele tem medo de crianças que continuam fortes.

O grupo precisava abandonar o bunker antes da chegada da próxima equipe. Decidi esperar pelos soldados.

— Vou prendê-los e descobrir onde está o líder.

Luke analisou minha decisão.

— Então vamos esperar do lado de fora. Se der errado, aqui dentro não poderemos ajudar nem fugir.

Concordei. As crianças se esconderam sob uma ponte próxima.

Quando os soldados chegaram, congelei a entrada e os prendi num único bloco, deixando apenas as cabeças livres. Destruí as paredes ao redor para que me enxergassem flutuando.

— Quero chegar ao homem que controla estes planetas. Libertarei quem me levar até ele.

— Eu levo — respondeu um dos soldados.

Derreti o gelo ao redor dele, destruí sua arma e fomos buscar as crianças.

Luke assumiu a frente do grupo. Alguns quilômetros depois, puxou meu braço e indicou uma patrulha escondida.

Protegi as crianças dos primeiros disparos. A fúria tomou minha concentração. Percebi o coração dos soldados e o sangue correndo dentro deles.

Puxei o sangue para fora de seus corpos.

Todos caíram.

A ameaça terminou, mas eu soube imediatamente que havia ido longe demais. Além de matar sem obter respostas, talvez tivesse enviado aqueles soldados para outro planeta do mesmo sistema.

— Eles voltam — disse Luke. — Os filhos dos soldados carregam dispositivos que os puxam para uma torre. Quando os pais morrem e renascem junto deles, uma máquina mata as crianças outra vez. É assim que os adultos permanecem no exército.

— Todos os soldados são pais?

— Todos os adultos daqui chegaram por causa de um filho. Se o adulto morre antes da criança e ela continua viva, ele segue o caminho normal. Se a criança morre logo depois, os dois continuam presos no sistema. Demente aprendeu a provocar falhas nessa regra.

Olhei para os corpos e para as crianças que tinham acabado de me ver matar um grupo inteiro.

Eu possuía poder suficiente para vencer uma patrulha. Ainda não sabia como vencer uma estrutura que transformava cada morte em parte de seu funcionamento.

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