Tudo Resolvido Fúria das Águas · Capítulo 29 de 51
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Tudo Resolvido

Elaryan exibira a missão de Emma para Leiva e Natane como uma sequência de cenas escolhidas.

Na tela, semanas de mortes, reencontros e deslocamentos ocupavam pouco tempo. Elaryan avançava por trechos inteiros, detinha-se quando uma decisão lhe interessava e observava as reações das duas.

— Vocês tiveram a primeira fila — disse, satisfeita. — Para Emma foram semanas. Aqui, quase nada.

Leiva não compartilhou o entusiasmo.

— Aquilo tudo aconteceu de verdade?

— Aconteceu. Agora a família vive uma experiência conjunta no chamado Planeta da Felicidade.

Elaryan explicou sua hipótese: talvez o planeta não existisse fisicamente. As partículas da família permaneceriam ligadas durante alguns minutos, criando anos de experiências compartilhadas antes de seguirem para destinos diferentes.

— Então não é falso — disse Natane.

— Nem verdadeiro do modo como você deseja — respondeu Elaryan. — Para quem está vivendo, a diferença perde importância.

Leiva não pareceu convencida. Uma vida capaz de desaparecer em poucos minutos ainda podia conter amor, medo e escolhas. O problema era outra pessoa decidir quando aquela vida começava e quando seria interrompida.

Ferne acompanhava o rastreador colocado em Emma. Quando o sinal chegou ao limite da atmosfera, Elaryan abriu uma passagem e puxou a família.

Eu, Carlos, Clara e Eric caímos no laboratório. Para mim, anos haviam passado. Leiva e Natane pareciam ter acabado de sair do quarto.

Meus filhos estavam maiores na lembrança que eu carregava e pequenos diante de mim. Abracei os dois sem saber qual das imagens deveria considerar a correta. Carlos compreendeu antes que eu explicasse. Para ele, os anos também tinham existido.

Elaryan nos levou a um Castelo de Água que não era o nosso. Raquel nos recebeu.

Contou que, em sua primeira vida, fora Néftis e tivera com Seth um filho chamado Anúbis. Seth desconfiava da paternidade, matou Raquel, a criança e a si próprio para testar o vínculo com os planetas. A lança que carregava atravessou a morte com ele.

Raquel não contou aquilo como lenda. Falou de Seth como alguém que amara e temera, e de Anúbis como a criança que ainda esperava encontrar. Os nomes religiosos haviam sobrevivido melhor do que as pessoas por trás deles.

— A história que Elaryan colocou na minha mente estava incompleta — falei.

— Histórias quase sempre estão — respondeu Elaryan. — O suficiente para conduzir você ao resultado.

Raquel perguntou pelo filho. Elaryan admitiu que Anúbis vivera com o pai na experiência compartilhada e prometeu reuni-los algum dia, sem dizer quando.

— Por que não agora? — perguntou Raquel.

— Porque ainda não é o momento.

Era a resposta que Elaryan usava quando não pretendia dividir o que sabia. Ela oferecia uma promessa e conservava para si o calendário.

Quando ela desapareceu, Raquel caiu de joelhos.

Retirei da roupa a pequena lança que viera comigo e a fiz retornar ao tamanho normal.

— Talvez Elaryan não tenha percebido tudo — disse.

Eu ainda não compreendia que até aquela esperança podia ter sido deixada de propósito.

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