O Planeta Paradise
Juper conhecia Paradise melhor do que qualquer pessoa reunida no palácio. Passara parte da existência observando conflitos que se espalhavam por planetas distantes e aprendera a enviar pequenas aranhas para lugares onde não podia permanecer.
— Os seres que vivem lá foram chamados de anjos em muitas histórias — explicou. — Alguns dos nomes chegaram à Terra e a outros mundos. Eles próprios rejeitam essa comparação.
Paradise permanecia estável numa região afetada pela movimentação de outros planetas. Elaryan trouxera populações inteiras para perto dele e começara a formar uma proteção semelhante à dos planetas das crianças.
— Os habitantes foram consultados? — perguntei.
— Não.
— Então não estamos chegando apenas para impedir um ataque. Estamos entrando num conflito que ela criou.
Juper concordou. Os governantes de Paradise defendiam uma sociedade baseada em pureza e hierarquia. Já mantinham povos dominados antes da chegada dos refugiados. Isso não tornava justo ocupar o planeta sem diálogo, mas explicava por que Elaryan não esperava acordo.
Minha tarefa seria proteger as comunidades enquanto tentávamos abrir negociação. Se os governantes atacassem, precisaríamos impedir que alcançassem os recém-chegados. Havia indícios de que algumas armas deles conseguiam interromper a reconstrução do corpo após a morte.
— Eles eliminam a partícula? — perguntou Raquel.
— Não sabemos. Talvez impeçam que ela volte a formar um corpo. Essa é uma das respostas que ainda falta.
Juper chamou pequenas aranhas que subiram pelas paredes, atravessaram o teto e se distribuíram entre os presentes.
— Cada uma está ligada a mim. Conseguirei transmitir alertas entre os grupos enquanto estivermos próximos o suficiente. Não precisam colocá-las dentro do corpo. Basta mantê-las na roupa ou em algum recipiente seguro.
Clara teria odiado aquela explicação. Pensei nela, em Eric, Carlos e Natane. Estavam no planeta que poderíamos transformar em campo de batalha.
Carl percebeu minha preocupação.
— Posso atravessar uma cidade em poucos segundos — disse. — Se precisarmos retirar pessoas, é nisso que serei útil.
— E se a velocidade não bastar?
— Então farei o que puder antes de descobrir o limite.
Carl parecia assustado e não tentava esconder.
Juper dividiu as últimas informações. Cada grupo seguiria para um destino diferente.
Athos abriu as passagens iniciais. Quando chegou nossa vez, preferi usar a lança. Precisava saber que conseguiria voltar por conta própria.
Pensei no Castelo de Água, na cidade e na família.
O portal se abriu para Paradise.