Fim de Baile Fúria das Águas · Capítulo 41 de 51
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Fim de Baile

Chegamos a Fóster entre casas que pareciam trazidas de mundos diferentes. Algumas desafiavam a gravidade; outras usavam materiais que eu não reconhecia. As ruas estavam vazias.

Depois de caminharmos por uma avenida longa demais para a distância que víamos, ouvimos música. Leiva identificou a direção e apontou para a torre de um palácio.

Abri outro portal.

O salão estava cheio. A pista central parecia próxima da entrada, mas o caminho até ela se alongava a cada passo. Casais dançavam sob luzes flutuantes. Vi Athos entre eles.

— Athos! — gritei. — Podemos participar antes do fim dos tempos?

Ele empunhou a espada. Pessoas ao redor fizeram o mesmo.

— Depende. Quem chegou? A Emma que conheci ou a Emma que Elaryan mandou para levar Adwig?

— Nenhuma das duas basta. Vim pedir ajuda para salvar meus amigos. Mas podemos começar amanhã.

Athos guardou a arma.

— Então você e as demais são bem-vindas.

A música recomeçou. Quando finalmente alcancei Athos, abracei-o e pedi desculpas. Fiz o mesmo com Adwig e Dafa.

— Não foi agradável — disse Dafa. — Nós também encontramos Elaryan. Podemos imaginar que sua experiência tenha sido pior.

Olhei das duas para o lugar onde as vira desaparecer.

— Eu vi vocês morrerem.

— E nós morremos — respondeu Dafa. — O que aconteceu depois não cabe no meio de uma música. Contamos amanhã.

Olhei para Adwig. Eu a vira morrer ao lado de Dafa e agora as duas estavam diante de mim. Não perguntei naquele momento o que acontecera entre uma cena e outra. A festa oferecia um intervalo, e eu precisava dele.

Athos apontou para Leiva.

— Convide aquela mulher para dançar antes que o Universo volte a exigir alguma coisa.

Estendi a mão. Leiva aceitou.

Durante alguns minutos, dancei sem ser rainha, Prometida, arma ou resposta para uma profecia. Era apenas Emma nos braços de alguém que me conhecera no pior lugar da minha existência e continuava ali.

Raquel chamou Darca. Depois trocamos os pares. As mulheres de Extern se misturaram ao grupo de Athos, e o baile perdeu a solenidade. Houve bebida, risos, pessoas lançadas ao alto e uma fila dançante que puxei por lembrança das festas da Terra.

Krakor perguntou de onde vinha aquilo.

— Cidade do México, início dos anos 2000.

Ele começou a contar uma história sobre a Terra, mas a música e a multidão o engoliram.

Athos veio me procurar algum tempo depois.

— Marquei uma reunião neste palácio para daqui a dez horas. Precisamos entender o que aconteceu com cada grupo e decidir os próximos passos.

— Estarei aqui. Onde acomodo todas elas?

Antes que respondesse, segurei seu braço.

— Preciso falar de Ben, da segurança das comunidades retiradas de Vésper, de Anúbis e das duas armas que carrego. Não vim apenas para entrar na próxima guerra de Elaryan.

— Serão os primeiros assuntos — prometeu Athos. — E nenhuma arma será tomada de você durante a conversa.

— Fóster tem casas suficientes, mas o palácio de Adwig também sabe criar quartos. Procure Hermes quando quiserem descansar.

Ele se despediu e saiu com Athena, Sussurro e Trovar. Eu o observei se afastar com eles. Pela primeira vez desde que chegara, Athos não caminhava sozinho. Era bom reencontrá-lo assim.

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