Férias
Raquel recusou qualquer descanso sem saber onde estava Anúbis.
Desde que recuperara a lembrança de Néftis, a promessa de reencontrar o filho ocupava tudo. Elaryan continuava dizendo que os reuniria no momento adequado, como se coubesse a ela decidir quanto tempo uma mãe deveria esperar.
Elaryan mostrou uma imagem do rapaz já adulto, vivendo a própria intimidade. Interrompeu a projeção quando percebeu que ele estava acompanhado.
— Colocarei um alerta — prometeu. — Se correr perigo, saberei.
— E se ele quiser me encontrar?
— Também saberei.
Raquel percebeu que não era uma resposta. Elaryan podia observar os dois e escolher quando permitiria o encontro.
Raquel não tinha como verificar se a imagem era verdadeira. Ainda assim, vê-lo vivo reduziu o medo.
Elaryan tentou nos levar a um navio, mas Raquel se recusou a entrar. Depois fomos a um parque vazio, que parecia montado para crianças que nunca chegariam. Elaryan demonstrou impaciência, mas continuou oferecendo alternativas. Por fim, aceitamos um centro de descanso com banhos, sauna e massagem.
Os profissionais apareceram por teletransporte e perguntaram onde podiam tocar antes de começar. A massagem foi íntima em alguns pontos e parou uma vez quando Raquel pediu.
Elaryan percebeu meu olhar, mas não comentou.
Depois dos banhos, perguntei com quem Elaryan costumava se relacionar.
— Com pessoas interessantes e dispostas — respondeu. — Desejo sobrevive às mortes e não obedece sempre ao sexo ou à forma do corpo. Mas não faz parte deste momento eu me envolver com vocês.
Raquel perguntou se ela já havia amado alguém. Elaryan sorriu sem responder. Pela primeira vez, a recusa não pareceu estratégia. Havia algo naquela pergunta que ela não queria transformar em explicação.
Elaryan nos vestiu para uma festa.
As roupas surgiram ajustadas aos nossos corpos e ao gosto que ela atribuía a cada uma. Pedi outra cor, apenas para confirmar que podia. Elaryan mudou sem protestar.
— Lá poderão fazer o que quiserem, sem risco.
Depois de tortura, mortes e decisões impossíveis, a promessa de uma noite sem consequência era tentadora. Também era oferecida pela única pessoa de quem não podíamos nos afastar.