O Retorno da Visão Fúria das Águas · Capítulo 44 de 51
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O Retorno da Visão

Athos reuniu representantes dos grupos espalhados pelo palácio. Antes que começasse, cobrei os assuntos prometidos.

Não havia registro completo dos habitantes perdidos na destruição de Vésper. Juper e Hermes se comprometeram a cruzar os nomes das comunidades transportadas com os arquivos disponíveis. Algumas pessoas continuavam desaparecidas.

Sobre Ben, Athos não possuía resposta. Anúbis havia deixado a experiência compartilhada e surgido entre os planetas reunidos, mas ninguém sabia onde estava naquele momento.

— Isso não encerra nenhuma das duas buscas — falei. — Quero os nomes de Vésper e quero encontrar Ben.

Athos concordou.

Adwig e Dafa contaram brevemente o que acontecera depois que morreram diante de mim. Haviam atravessado outra sequência de renascimentos, alianças e conflitos até chegar a Fóster. A morte que testemunhei fora real, mas não definitiva.

Quando chegou às armas, expliquei que a Varunastra estava sob minha guarda, não sob minha propriedade. Athos não contestou.

Então falou da visão.

Vira Adwig num confronto ao lado de muitas pessoas. A cena antes fragmentada retornara com mais elementos: armas reunidas, uma ameaça capaz de impedir o renascimento e Elaryan no centro do acontecimento. Athos ainda não sabia como chegar até lá.

Elaryan apareceu antes que pudéssemos discutir.

— Três conflitos estão se aproximando do mesmo ponto — disse. — Povos élficos disputam máquinas capazes de ampliar uma praga do sono. Zeus, Poseidon e Hades tentam impedir André de retirar um ser primordial do controle deles. Em Paradise, os habitantes anteriores se preparam para reagir à chegada de populações que não autorizaram.

— E qual deles você afirma que vamos vencer? — perguntou Athos.

— Nenhum resultado está garantido. Conheço uma sequência em que atravessamos os três conflitos e chegamos à batalha que você viu. Já existem diferenças suficientes para eu não tratar essa lembrança como certeza.

Era a primeira vez que Elaryan admitia aquilo diante de todos.

Juper distribuiria informações e manteria comunicação entre os grupos. Athos iria ao conflito ligado aos elfos. André já estava na rota de Zeus. Paradise precisava de alguém que conhecesse as comunidades transportadas e pudesse controlar grandes volumes de água.

Todos olharam para mim.

— Eu irei porque minha família e meu povo estão lá — respondi. — Não porque você preparou outra função para a Prometida.

— O resultado prático é o mesmo — disse Elaryan.

— Para você. Para mim, o motivo ainda importa.

Raquel, Leiva, Darca e as demais escolheram acompanhar-me. Carl, um homem que eu conhecia apenas de vista, perguntou se poderia ir também. Disse que ainda não encontrara um grupo e que Paradise parecia o lugar onde sua velocidade seria útil.

Elaryan orientou que o palácio permanecesse como abrigo, mas Adwig estabeleceu que qualquer pessoa poderia sair e que nenhum novo habitante seria trazido sem informação e consentimento.

— Você transforma tudo em assembleia — comentou Elaryan.

— E você transforma tudo em propriedade — respondeu Adwig.

Juper interrompeu antes que a discussão crescesse. Era hora de compreender Paradise.

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