A Tranquilidade do Fim do Mundo Fúria das Águas · Capítulo 15 de 51
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A Tranquilidade do Fim do Mundo

A sensação era difícil de suportar. Algumas mulheres riam e brincavam nas construções de água que havíamos projetado. Outras não conseguiam se afastar do portal fechado. Aproximadamente metade do nosso povo continuava em Néon, parada no instante anterior ao fim do planeta.

A maior parte das Gigantes ficara para trás. As que atravessaram esperavam juntas.

— Eu vi uma explosão antes de passar — disse Condera. — E se alguma coisa acontecer quando o tempo voltar?

Creteas estava do outro lado. Tentei não imaginar que, se morressem, aquelas mulheres poderiam despertar em outro planeta-inferno.

Athos precisava se recuperar. A espera também permitia que Krakor e os outros continuassem preparando Vésper, mas essa explicação não diminuía a ansiedade de ninguém.

Soltei Namos da couraça. Ele correu entre as casas, cheirou as plantas e se aventurou por caminhos que ainda não conhecíamos. Eu vinha fazendo isso com mais frequência. Nossa união era boa para os dois, mas ele continuava precisando ser um animal livre, sem carregar meu corpo e minhas decisões o tempo todo.

Depois de um período que não consegui medir, resolvi procurar Athos. As mulheres já escolhiam casas parecidas com as que haviam deixado. Algumas discutiam sobre quem tinha chegado primeiro. A beleza do lugar não impedia que o medo encontrasse novas formas de aparecer.

— Vou atrás de Athos — avisei a Leiva.

— Você sabe onde ele está?

— No Castelo, provavelmente.

— Então o que estamos esperando? — perguntou Natane, surgindo do jardim onde cuidava das plantas.

Leiva fez a expressão que reservava para as intervenções de Natane: testa franzida, lábios apertados e uma resposta engolida. As duas se provocavam o tempo todo, mas também se procuravam. Quando importava, nenhuma precisava pedir ajuda à outra.

Por alguns segundos, pensei que poderíamos nos distrair antes de encontrar Athos.

— Não me olhe assim — disse Leiva. — Metade do planeta está prestes a explodir. Eu não conseguiria relaxar.

— Não queria concordar com ela, principalmente neste assunto, mas também não consigo — completou Natane.

— Eu não estava pensando em nada.

— Sei — responderam juntas.

Seguimos até o Castelo. Abri os portões de água com as mãos. Controlava aquela estrutura melhor do que controlava o antigo Castelo com as algas, mas ainda sentia falta delas.

Namos nos acompanhou até a entrada e escolheu voltar à couraça.

— Gosto quando você fica assim — disse Natane. — A pele dele deixa você muito bonita.

O salão do trono estava vazio. Seguimos para os quartos. No primeiro corredor, ouvimos respirações entrecortadas. A entrada do cômodo mais amplo não tinha porta.

Athos, Sussurro e Silency estavam nus, em pé, com os corpos unidos. Tocavam bocas, rostos e peitos enquanto um vapor fino saía de suas peles. Quase não se moviam. A intensidade estava na respiração e na concentração dos três.

Paramos antes de entrar.

— Precisamos aprender isso — sussurrou Natane.

Olhei para Leiva esperando uma repreensão, mas ela não conseguia desviar os olhos de Sussurro.

As asas de Athos se abriram de repente. Ele saltou para trás e formou sobre o corpo uma película da mesma cor de sua pele. Sussurro cobriu-se com escamas azuladas; Silency, com uma pelagem branca.

— Desculpem — falei. — Não queríamos interromper.

— Vocês não fizeram nada errado. Eu me assustei porque ainda não sei quem pode chegar a Vésper ou como.

Leiva continuava olhando para Sussurro.

— O que vocês estavam fazendo?

— Sexo — respondeu Athos. — Criamos uma ligação mental pelo contato. O prazer não depende apenas do que fazemos com o corpo. Conseguimos alcançar diretamente as sensações uns dos outros.

— E como alguém aprende isso? — perguntou Natane.

— Pelo menos uma das pessoas precisa estabelecer um elo telepático. É difícil no nível de vocês, mas pode ser desenvolvido. Se algum dia quiserem experimentar, posso explicar com mais calma ou uma delas pode ajudar. Só funciona se todos estiverem de acordo e conseguirem interromper a ligação quando desejarem.

Sussurro sustentou o olhar de Leiva. Leiva sorriu, sem a timidez que costumava ter comigo.

— Podemos conversar sobre isso depois que buscarmos as outras — intervim. — Leiva e Natane acabaram de me explicar que não conseguem pensar em diversão enquanto metade do nosso povo continua em Néon. Não é, Leiva?

— Exatamente. Primeiro o resgate — respondeu ela, tropeçando no próprio pé apesar de estar parada.

Athos olhou para Sussurro, depois para nós.

— Já passou da hora. Vamos terminar o que começamos.

Ele abriu um portal.

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