Sinceridade Fúria das Águas · Capítulo 38 de 51
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Sinceridade

— Meu nome é Emma — comecei. — Elaryan me disse que minhas amigas precisavam ser salvas. Não explicou o que eu encontraria nem o que esperava que eu fizesse. Ela costuma preparar as condições e deixar que a pessoa produza o resultado por conta própria.

Varuna reconheceu o nome.

— Ela já enviou outros aos meus domínios.

— Com uma ordem definida?

— Com informações suficientes para acreditarem que me atacar era necessário.

Mostrei a Lança do Destino. Varuna perdeu parte da tranquilidade.

— Ela devolveu isso a você?

— Disse que eu precisaria usá-la.

Varuna se aproximou para examinar a arma. Movi a lança, cortei o material que ainda prendia meu braço e coloquei a ponta em seu pescoço. Os homens ao redor se prepararam, mas ele pediu que não reagissem.

Soltei-o.

— Se eu quisesse cumprir uma ordem de Elaryan, poderia ter tentado matar você agora.

— E talvez conseguisse — respondeu Varuna. — Uma arma mística pode destruir seres que sobreviveriam a quase qualquer outra morte.

— Inclusive Elaryan?

— Inclusive ela. Alcançá-la é outra questão.

Varuna explicou que Elaryan conhecia sequências que ninguém mais conhecia. Não era um destino imutável. Eram padrões, decisões e encontros que ela aprendera a antecipar. Quando surgia uma diferença, tentava cercá-la antes que crescesse.

— Fomos aliados antes de ela se tornar o centro de tantos povos — contou. — Vi o conhecimento dela crescer e o desejo de preservar vidas se transformar no direito de decidir quais vidas serviriam ao projeto.

A Varunastra era uma das quinze armas místicas e, segundo ele, a única que permanecera com o mesmo portador desde que fora encontrada. Elaryan tentara tomá-la. A morte não bastara: a arma retornara com Varuna.

— Por que me conta isso?

— Porque Extern mudou. Comunidades inteiras foram trazidas para cá, forças antes distantes começaram a se encontrar e Elaryan está recolhendo pessoas e instrumentos. Não sei o que acontecerá, mas sei o que ela pretende fazer com qualquer poder que permaneça isolado.

Ele retirou a Varunastra do suporte e colocou-a diante de mim.

— Não vou entregar outra arma a uma governante — falei.

— Não estou entregando à Prometida, à rainha ou à escolhida de Elaryan. Estou entregando à mulher que teve uma lâmina no meu pescoço e decidiu afastá-la.

— E se eu me tornar outra pessoa concentrando armas e decisões?

— Então ela deverá ser tomada de você. Isto não é uma coroação, Emma. É uma guarda temporária.

A proposta ainda parecia precipitada. Varuna acrescentou que seus domínios dependiam demais de uma única arma e de um único protetor. Mantê-la consigo por medo também era centralizar poder. Se sobrevivêssemos ao que se aproximava, a permanência da Varunastra comigo seria decidida novamente, com participação do conselho e das comunidades que dependiam dela.

Segurei a Varunastra.

Águas distantes surgiram na minha percepção. Rios, mares e líquidos que eu não sabia nomear pareciam ligados pela arma. Não os controlava de imediato; apenas sabia que poderia alcançá-los se aprendesse como.

Konevan e os outros se ajoelharam. Varuna ordenou que se levantassem.

— A arma mudou de portadora, não de dona do povo.

Konevan pediu desculpas a Jafeh e Terna. Elas ouviram sem responder. Varuna garantiu que o julgamento ocorreria mesmo que partissem e ofereceu acesso ao registro quando retornassem.

Darca lembrou que várias mulheres ainda estavam presas. Varuna desfez a substância, e eu senti vergonha por não ter percebido antes.

— Para onde irá? — perguntou.

— Primeiro, levarei meu povo de volta. Depois encontrarei Athos e ouvirei os outros antes de escolher qualquer caminho.

Abri o portal e perguntei quem voltaria conosco. Darca entrou primeiro.

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