A Chegada de Athena Fúria das Águas · Capítulo 47 de 51
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A Chegada de Athena

Trovar apareceu enquanto ainda distribuíamos os grupos de defesa. Uma mulher o acompanhava. Era magra, tinha os cabelos compridos e escuros e carregava na cintura um pedaço de madeira que lembrava uma varinha.

— Emma, esta é Athena. Precisamos de você e de Raquel.

Eu quis fazer perguntas sobre a mulher que dera origem a tantos mitos na Terra, mas a urgência na voz dele me conteve.

Poseidon e Hades estavam a caminho do território de Zeus. Se chegassem antes do fim do confronto entre Zeus e André, poderiam mudar o resultado. Trovar precisava que nós três os atrasássemos.

— Elaryan não pode saber que estou envolvido — acrescentou. — Nem que consigo fazer isto.

Abriu um portal sem tocar em qualquer arma.

Raquel e eu nos encaramos. Ela não esperou que eu perguntasse.

— Vamos.

Saímos no céu, diante de Poseidon e Hades. Trovar desapareceu antes que eles pudessem vê-lo.

Poseidon interrompeu o voo quando reconheceu Raquel. Ela avançou sem esperar explicações. Socos e chutes o atingiram, rápidos demais para que eu acompanhasse todos. Ele se defendeu no início, mas logo baixou os braços.

Quando tentou segurá-la, Raquel congelou o corpo dele até o pescoço.

— Não me toque.

Poseidon obedeceu.

Hades avançou para libertá-lo. Eu abri a lança e apontei para seu peito, enquanto Athena ergueu a varinha.

— Não viemos matar ninguém — disse Athena. — Só precisamos que esperem.

Hades reconheceu a voz antes do rosto.

— Athena?

Ela confirmou. Hades perdeu a postura de combate. Por alguns segundos, os dois apenas se olharam. Havia entre eles uma história que eu ainda não conhecia, marcada por mortes e desencontros.

Poseidon manteve os olhos em Raquel.

— Eu sou seu pai.

As nuvens escureceram acima de nós. Relâmpagos se abriram entre elas.

— Você me enganou, me entregou a Elaryan e tentou me levar à força — respondeu Raquel. — Não use essa palavra como se ela apagasse o resto.

— Não apaga.

Ele contou que a mãe de Raquel não era da Terra. Os dois aceitaram participar de uma experiência para que ela pudesse engravidar, mas passaram a ser caçados. Poseidon roubou o Tridente e levou a companheira para a Terra. Partiu com a intenção de afastar os perseguidores. Quando tentou voltar, um dos governantes alados de Paradise já a havia matado de modo definitivo.

Procurou a filha por diferentes planetas. Elaryan foi a primeira a lhe mostrar que Raquel continuava viva e transformou essa informação em condição para sua obediência.

— E o ataque contra nós? — perguntei. — Você sabia quem ela era quando a atingiu.

— Eu queria tirá-la do caminho de Elaryan. Pensei que conseguiria carregá-la antes que reagissem. Quando falhei, continuei atacando. Convenci a mim mesmo de que impedir o plano justificava qualquer coisa.

Lembrei-me de como ele tentara alcançar Raquel em vez de terminar a luta. A explicação dava sentido à hesitação, não a tornava aceitável.

— Você decidiu por mim do mesmo jeito que Elaryan decidiu por você — disse Raquel. — Não vou chamar isso de cuidado.

Poseidon baixou a cabeça.

— Eu sei.

Ela desfez o gelo, mas manteve distância.

Athena se aproximou de Hades. Ele perguntou onde ela estivera durante tantas vidas. Athena respondeu que contaria quando houvesse tempo e que reencontrá-lo não significava retomar tudo como antes.

O intervalo já havia cumprido o objetivo. Ao longe, uma descarga iluminou o céu no território de Zeus.

— A luta começou — disse Athena.

Hades e Poseidon partiram. Nós os seguimos. Raquel manteve-se à frente e não olhou para Poseidon.

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