O Retorno Fúria das Águas · Capítulo 18 de 51
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O Retorno

— O que aconteceu? — perguntou Natane. — Emma foi puxada pelo portal e você conseguiu trazê-la de volta. Ainda precisamos saber por que ela estava daquele jeito.

— Não foi tão fácil — respondeu Athos. — Você esqueceu que o tempo para aqui quando atravesso para o outro lado. Passaram-se mil duzentos e cinquenta anos.

Natane se deixou cair no chão. Leiva perdeu a cor.

Comecei a rir.

— É brincadeira. Foram algumas horas.

— Emma! — gritaram as duas.

Leiva me abraçou primeiro. Natane se levantou e nos envolveu logo depois.

— Agora conte o que aconteceu — pediu Leiva.

— Fui atingida pelo raio quando atravessava. Meu corpo chegou a Vésper, mas eu despertei em Lagos. Nesse intervalo, senti como se tivesse me tornado o Universo e conhecido todos os segredos da existência. Só não consigo lembrar quase nenhum deles. Athos me encontrou, caímos numa armadilha de piratas vestidos como artistas de circo e quase fomos vendidos como escravos. Então ele resolveu voltar a ser poderoso e nos tirou de lá.

As duas demoraram a decidir por qual parte começar.

— E o que você trouxe? — perguntou Creteas a Athos.

Ele carregava uma das peças transparentes usadas pelos piratas.

— Este objeto drenou nossa energia. Consegui isolar a radiação que emitia, mas ainda preciso descobrir como funciona. Se aprendermos a neutralizá-lo, talvez também possamos nos proteger de armadilhas parecidas.

Athos disse que buscaria Silency e Sussurro para partir atrás de Trovar e Athena. Natane o interrompeu.

— Antes de ir, existe uma coisa que você precisa ver.

Ela nos levou até o rio que Krakor havia planejado comigo, inspirado no rio das quedas de Néon.

— O que há aqui? — perguntou Athos.

— Espere.

Ficamos em silêncio. Um peixe saltou. Outros repetiram o movimento.

— Animais? Fora de casulos?

— Tem mais — disse Natane.

Ela fez um sinal para Fanare. A guerreira preparou o arco, esperou outro peixe saltar e disparou. A flecha atravessou o animal e ficou presa num tronco da margem oposta.

Eu me incomodei com a demonstração, mas Athos já voava até o corpo. Retirou a flecha e examinou o peixe.

— Ele morreu e o corpo permaneceu. Era sua primeira vida.

— Precisávamos ter certeza — explicou Fanare, abaixando o arco. — Foi o único modo que encontramos.

— Da próxima vez, procurem um modo que não exija matar para responder a uma pergunta — disse Athos.

Fanare assentiu. Natane continuou:

— Mergulhamos e vasculhamos o leito do rio. Encontramos muito mais vida.

Athos deu uma pirueta e entrou na água. Saltei atrás dele.

Na superfície, havia muitos peixes da mesma espécie. Descemos sem encontrar nada diferente, mas o rio era muito mais profundo do que eu imaginara quando o projetei com Krakor.

Perto do fundo, a paisagem mudou. Havia peixes de formas variadas, animais que pareciam anfíbios e répteis, além de corais de muitas cores. Não eram criaturas isoladas. Formavam um ambiente que nenhum de nós havia colocado ali de propósito.

Voltamos à margem.

— Eu nunca vi tantas espécies aquáticas reunidas — disse Athos, retirando a água de nossas roupas com uma corrente de ar. — Vésper não tinha vida quando foi encontrado. Nós criamos as condições deste rio, mas não criamos esses animais.

— Então de onde vieram?

— Não sei. O peixe que permaneceu morto indica uma primeira vida biológica. Isso não significa que todos tenham ou não continuidade depois da morte. Só podemos afirmar que estes corpos nasceram aqui.

Athos olhou para o rio, ainda segurando o artefato dos piratas.

— Preciso investigar. Por enquanto, não matem outros animais e não tentem forçar simbioses. Observem o que acontece e registrem qualquer mudança.

Ele agradeceu pelo aviso e se despediu. Antes de partir, garantiu que voltaria muito antes do que imaginaríamos.

Athos atravessou o portal, deixando conosco um planeta construído para abrigar vidas e que agora parecia decidido a criar as próprias.

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