Enquanto Isso… Fúria das Águas · Capítulo 36 de 51
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Enquanto Isso…

Creteas e Darca assumiram a condução da comunidade durante a ausência de Emma. No início, o maior problema foram as crises de ansiedade provocadas pelo desaparecimento da rainha. Depois, todos perceberam que a cidade também havia sumido de Vésper.

As casas, os rios e as estruturas construídas para o povo da água continuavam nos mesmos lugares. O céu, porém, obedecia a outro ritmo. Creteas descartou a hipótese de ilusão: Elaryan havia transportado a comunidade inteira para outro planeta.

Com o tempo, esperar deixou de parecer prudência. As Mileniuns mais experientes queriam conhecer o território. Darca convocou uma assembleia e partiu com Jafeh, Terna, Hilda, um grupo de guerreiras conduzido por Kreta e as gigantes Ômega e Lexicos. Creteas permaneceria responsável pela cidade.

— Quase como nos velhos tempos — comentou Kreta.

— Não — respondeu Hilda. — Naquela época, sobrevivíamos em Néon. Agora escolhemos sair.

A diferença importava. Algumas haviam aprendido a controlar o ar e conseguiam voar por pequenas distâncias. Todas carregavam simbioses e técnicas que não possuíam antes. Mesmo assim, decidiram caminhar para preservar energia e observar o mundo.

Seguiram o rio na direção do maior sol. A cidade visível no horizonte parecia próxima, mas não aumentava, embora percorressem quilômetros.

— Talvez este planeta não tenha a forma que estamos acostumadas a imaginar — disse Lexicos.

No alto de uma região montanhosa, viram que a cidade ficava cercada por uma extensão de água muito maior do que esperavam. Mergulharam.

Ômega e Lexicos seguiram pelo fundo; as guerreiras alternaram a superfície e as regiões intermediárias. Foi Ômega quem encontrou uma passagem aberta no leito, iluminada por baixo.

— A chance de entrarmos e encontrarmos alguma coisa boa é pequena — disse Zenia.

— Quer voltar? — perguntou Darca.

— Não. Só quero que todas se lembrem de que eu avisei.

Jafeh mergulhou primeiro. As outras a acompanharam.

A passagem levou a uma câmara rasa, cercada por outras aberturas luminosas. Lagostas enormes surgiram pelas paredes e bloquearam cada saída.

Relâmpagos atingiram a água. As mulheres tentaram formar uma proteção eletromagnética, mas as descargas mantiveram seus pés presos ao chão. Quando algumas conseguiram flutuar, um líquido transparente caiu do teto e queimou a pele de quem tocava.

Kreta criou uma película de água ao redor do grupo. Uma das guerreiras começou a evaporar o líquido. As lagostas absorveram o vapor antes que alcançasse as passagens externas.

Quando a câmara secou, vieram rajadas de fogo. Darca tentou puxar água do lado de fora enquanto as demais a protegiam. A estrutura resistia à entrada de qualquer corrente.

Ela insistiu até gotas atravessarem as paredes. Uma onda de energia partiu de seu corpo e derrubou parte do teto.

Ômega e Lexicos avançaram para retirar as companheiras dos escombros. Antes que alcançassem todas, as lagostas assumiram formas humanas e reconstruíram a câmara. Em seguida, curaram as feridas que haviam provocado.

Uma criatura menor saiu por uma das passagens reconstruídas. Tinha o corpo baixo, pele úmida e barbatanas finas ao redor do pescoço. Parou entre os dois grupos e emitiu uma vibração grave. A eletricidade que ainda corria pelas paredes perdeu força. Algumas mulheres acertaram a respiração no ritmo do som, sem deixar de olhar para as saídas fechadas.

— Pedimos desculpas — disse um deles. — Esta é uma área de treinamento. Vocês chegaram quando iniciaríamos os testes e decidimos observar como reagiriam.

Darca não aceitou a mão oferecida.

— Atacar visitantes faz parte do treinamento?

— Faz parte da defesa.

O homem apresentou-se como Konevan e indicou Verdix, Narin, Sax, Mordecnum, Vamiric e Droud. As roupas escuras variavam apenas em pequenos detalhes de cor.

Konevan percebeu os olhares voltados para a criatura.

— É um Marul. Ele sente alterações na água e nos corpos antes de nós.

— Então percebeu que não viemos atacar — disse Darca.

— Percebeu.

— E vocês atacaram mesmo assim.

Konevan olhou para os companheiros antes de responder.

— O treinamento foi uma escolha nossa, não dele.

— Sejam bem-vindas aos domínios de Varuna.

Darca olhou para as passagens fechadas. A saudação não esclarecia se ainda eram visitantes ou prisioneiras.

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