A Arma das Armas
Athos encontrou Adwig perto da escadaria do palácio. Ela lutava com o cetro, derrubando os anjos que tentavam alcançar a entrada.
Um grito atravessou a batalha. Uma das combatentes havia recebido um golpe no peito. O corpo desapareceu, mas ela não retornou.
Athos viu o mesmo acontecer com outro aliado. Os anjos já não estavam apenas matando. Quando atravessavam o coração com uma técnica específica, fechavam o caminho da partícula e impediam seu renascimento.
— Protejam o peito! — ele gritou. — Não deixem que completem o golpe!
Emma havia escapado porque atingira Gabriel antes que ele terminasse o processo. Outros não tiveram a mesma oportunidade.
André e Lúcifer lutavam próximos. Lúcifer mantinha Miguel ocupado, enquanto André abria espaço com a foice. Os anjos atingidos pela lâmina desapareciam e voltavam pouco depois. A arma podia submetê-los, mas não anulava a capacidade de renascer que Gabriel lhes concedera.
Elaryan lançou Gabriel contra o solo. Ele abriu uma cratera no centro da avenida e se levantou antes que ela o alcançasse.
Miguel abandonou a luta com Lúcifer.
— Gabriel, não!
Gabriel fechou os olhos.
O primeiro anjo foi arrancado do céu e absorvido por ele. Depois veio outro. Centenas de corpos começaram a se desfazer, puxados para o mesmo ponto. Alguns tentaram resistir. Outros se entregaram enquanto chamavam aquilo de união.
Elaryan desceu ao lado de Athos.
— Você encontrou Adwig. O que viu com ela?
— Minha espada.
— E a luz?
Athos observou o campo. O fragmento não oferecia instruções completas. Mostrava a rainha avançando, uma lâmina em suas mãos e muitos poderes procurando o mesmo centro.
— As armas — respondeu. — São quinze.
Elaryan confirmou.
André acompanhou o olhar dos dois. Adwig carregava o cetro. Emma tinha duas armas. Henri e Magno, uma cada. Fragarach estava com Lúcifer; o tridente, com Krakor; Excalibur, com Móretar. Duas combatentes que André não conhecia protegiam outras duas. Com ele estavam o cajado, a foice, a Brahmastra e a Brahmashirsha. A décima quinta era a espada de Athos.
Gabriel continuava absorvendo seu exército. Quanto menos anjos restavam, maior se tornava a pressão ao redor dele.
— Adwig! — Athos chamou.
Ela derrubou o adversário mais próximo e correu em sua direção.
Athos ofereceu a espada.
— Minhas imagens terminam com esta arma nas suas mãos. Não sei tudo o que acontece entre uma coisa e outra.
Adwig não a pegou imediatamente.
— Está pedindo que eu cumpra sua visão?
— Estou dizendo o que vi. Se a arma responder a você, podemos reunir força suficiente. A decisão continua sendo sua.
Outro anjo desapareceu dentro de Gabriel. Adwig olhou para os corpos que não haviam retornado e para o cetro aceso entre as pedras. Então pegou a espada.
— Abra o caminho.
Elaryan seguiu à frente, abrindo a passagem. Emma e Móretar atacaram pelos lados, enquanto Henri conteve os anjos que tentavam fechar o corredor. André avançou atrás de Adwig. A foice afastava os inimigos que retornavam, e as duas armas de Brahma permaneciam presas ao seu corpo, poderosas demais para serem disparadas contra Gabriel sem arriscar Paradise.
— Agora! — Elaryan gritou.
Athos ergueu as mãos na direção da espada.
— Retornem à forma original.
A lâmina brilhou.
O cetro escapou das mãos de Adwig e se desfez dentro da espada. As outras armas abandonaram seus portadores. Fragarach cortou o ar; Excalibur e o tridente vieram logo atrás. A foice, o cajado e as peças de Brahma deixaram André. Todas alcançaram a lâmina e desapareceram nela.
Quando a Brahmastra e a Brahmashirsha deixaram seu corpo, André sentiu o silêncio repentino das duas forças. Separadas desde Novo Olimpo, agora procuravam a mesma lâmina nas mãos de Adwig.
Adwig quase caiu quando o peso mudou. A espada não havia crescido, mas cada uma das quinze forças disputava passagem por seus braços.
Gabriel absorveu o último anjo. Quando abriu os olhos, o avanço de Adwig diminuiu.
Todos atacaram. Nenhum golpe chegou até ele.
Gabriel levantou a mão contra a rainha. Athos abriu um portal e surgiu ao seu lado, segurando-lhe o braço. Elaryan conteve o outro.
Uma explosão lançou os dois para longe.
Adwig tentou continuar. A pressão de Gabriel a prendia ao chão.
André viu Carl entre os combatentes.
— Carl! A espada!
Carl alcançou Adwig e colocou a mão sobre a lâmina. A luz do Cálice apareceu sob sua pele e respondeu às quinze armas.
Ele compreendeu antes que André gritasse outra instrução. Adwig tentou detê-lo, mas Carl se lançou contra a espada. Seu corpo desapareceu no contato. A energia do Cálice atravessou a arma reunida e devolveu movimento aos braços da rainha.
André procurou o ponto em que a partícula dele deveria reaparecer. Nenhuma passagem se abriu. O Cálice não havia apenas transferido energia: entrara na espada com tudo o que Carl carregava. Foi por isso que ele não esperou outra solução.
Adwig recuperou a velocidade.
A arma atravessou o coração de Gabriel.
Ele cuspiu sangue sobre a lâmina.
— Eu vou renascer.
Elaryan surgiu atrás dele.
— Não desta vez.
Ela apertou o coração atravessado pela espada e descarregou energia dentro do corpo de Gabriel. O golpe subiu até o cérebro e conteve a partícula antes que ela escapasse.
Gabriel desapareceu.
Ninguém comemorou. A chuva de sangue continuava caindo, e as ausências dos que não retornariam pesavam mais que o fim do ataque.
A espada brilhou nas mãos de Adwig. Elaryan segurou a lâmina e a puxou, cortando a própria palma para vencer a resistência da arma.
Athos pousou ao lado da rainha.
— Devolva a espada.
— Tudo terminou — Elaryan respondeu. — Vocês terão tempo para viver.
— Então separe as armas outra vez.
— O poder funciona melhor quando está concentrado e bem administrado.
Athos olhou para o lugar onde Carl morrera. Depois, para os portadores que haviam acabado de perder suas armas.
— Foi exatamente isso que todos os outros disseram antes de decidir por nós.
— Você não confia em mim, meu amor?
— Não quando você precisa perguntar.
Athos saltou contra ela.
Os dois desapareceram.