Vinte e Cinco Anos Jornada do Sangue · Capítulo 48 de 49
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Vinte e Cinco Anos

O céu de Paradise continuava sangrando quando Trovar apareceu.

André se aproximou antes dos outros.

— Onde estão Athos e Elaryan?

— Perto do limite temporal do Universo. Elaryan levou a arma e Athos foi atrás dela.

— Traga os dois de volta.

— Para eles, pouco tempo passará. Aqui, teremos quase vinte e cinco anos.

Adwig ainda olhava para a própria mão, vazia desde que Elaryan lhe tomara a espada.

— O que ela pretende fazer com as armas?

Trovar demorou a responder.

— Concentrar poder suficiente para alcançar o fim sem ser destruída com o restante do Universo.

— O fim de tudo? — Henri perguntou.

— Toda a matéria se expande até começar a retornar ao mesmo eixo. No final, o Universo volta a um ponto único. Depois, recomeça.

— E Elaryan sabe disso porque vê o futuro — André disse.

— Ela conhece uma sequência que quase sempre se confirma. Athos acredita ter encontrado uma diferença capaz de alterar o resultado.

— Que diferença?

— Só ele pode responder.

Trovar não disse mais. Elaryan não podia saber o que ele preparava, e Athos ainda dependia da vantagem de ser subestimado por ela.

— Você veio apenas nos contar que eles partiram? — Lúcifer perguntou.

— Vim dizer quanto tempo resta. Perto do final, voltarei. Érebo e eu procuraremos aqueles capazes de sustentar nossa ligação sem serem consumidos por ela.

Sussurro permanecia ao lado dele. A pele de Trovar oscilou por um instante, revelando a forma escura de Érebo antes de voltar ao normal.

— E o que acontece com quem for capaz? — Emma perguntou.

— Terá uma chance de chegar ao ponto em que Athos e Elaryan estão. Não posso prometer o que existe depois.

— Precisamos nos preparar?

— Precisam viver. Nenhum treinamento criará compatibilidade onde ela não existe.

Trovar abriu um portal.

— Vejo vocês antes do fim.

Ele, Sussurro e Érebo desapareceram.

Durante algum tempo, ninguém se afastou. A vitória contra Gabriel havia custado vidas que não retornariam. Carl deixara apenas a marca de sua energia dentro da arma levada por Elaryan.

— Acabou? — Lúcifer perguntou.

André olhou para Trix.

— A guerra acabou. O restante começou agora.

Enquanto os sobreviventes deixavam a praça, algumas pessoas vindas da Terra recolhiam fragmentos de armas, registravam nomes e pediam relatos. André reconheceu o símbolo discreto da Confraria nas roupas de duas delas. A Terra havia acabado, mas a disputa sobre quem conservaria sua história atravessara com eles.

Adwig reconheceu Trix entre os sobreviventes.

— Você conseguiu chegar ao palácio.

— E pretendo voltar — Trix respondeu. — Se ainda houver espaço.

— Já não sei quantas pessoas passaram a chamar aquele lugar de casa. Mais uma não será o problema.

— Mais quatro — André corrigiu. — Eu, Trix, Eva e Moisés.

Moisés olhou na direção das cidades que reproduziam a Terra.

— Acho que não vou com vocês.

Eva se aproximou dele.

— Prefere ficar aqui?

— Se o sangue tem uma jornada, a minha começou na Terra. Quero terminar perto dela.

— Então terminamos juntos.

André abraçou a irmã.

— Voltaremos para visitar vocês.

— Sem o cajado? — Trix perguntou.

Laura havia se aproximado com Carmilla.

— Posso construir uma nave. Os sete planetas estão próximos e foram mantidos dentro do mesmo cinturão. Em algumas semanas, teremos uma rota segura entre eles.

— Algumas semanas? — Lúcifer repetiu.

— Se ninguém decidir explodir mais um planeta enquanto trabalho.

A frase arrancou algumas risadas. Eram fracas, mas foram as primeiras desde a morte de Carl.

Antes de partirem, André procurou a área onde ele havia caído. Não encontrou corpo, túmulo ou partícula para seguir. Encontrou apenas uma marca queimada no chão.

Carl passara a primeira vida correndo atrás de uma bola. Na última batalha, correra para alcançar uma espada.

André se agachou e tocou a pedra escura.

— Obrigado.

Trix esperou ao lado dele.

Depois, seguiram com Adwig para o palácio.

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