Vinte e Cinco Anos
O céu de Paradise continuava sangrando quando Trovar apareceu.
André se aproximou antes dos outros.
— Onde estão Athos e Elaryan?
— Perto do limite temporal do Universo. Elaryan levou a arma e Athos foi atrás dela.
— Traga os dois de volta.
— Para eles, pouco tempo passará. Aqui, teremos quase vinte e cinco anos.
Adwig ainda olhava para a própria mão, vazia desde que Elaryan lhe tomara a espada.
— O que ela pretende fazer com as armas?
Trovar demorou a responder.
— Concentrar poder suficiente para alcançar o fim sem ser destruída com o restante do Universo.
— O fim de tudo? — Henri perguntou.
— Toda a matéria se expande até começar a retornar ao mesmo eixo. No final, o Universo volta a um ponto único. Depois, recomeça.
— E Elaryan sabe disso porque vê o futuro — André disse.
— Ela conhece uma sequência que quase sempre se confirma. Athos acredita ter encontrado uma diferença capaz de alterar o resultado.
— Que diferença?
— Só ele pode responder.
Trovar não disse mais. Elaryan não podia saber o que ele preparava, e Athos ainda dependia da vantagem de ser subestimado por ela.
— Você veio apenas nos contar que eles partiram? — Lúcifer perguntou.
— Vim dizer quanto tempo resta. Perto do final, voltarei. Érebo e eu procuraremos aqueles capazes de sustentar nossa ligação sem serem consumidos por ela.
Sussurro permanecia ao lado dele. A pele de Trovar oscilou por um instante, revelando a forma escura de Érebo antes de voltar ao normal.
— E o que acontece com quem for capaz? — Emma perguntou.
— Terá uma chance de chegar ao ponto em que Athos e Elaryan estão. Não posso prometer o que existe depois.
— Precisamos nos preparar?
— Precisam viver. Nenhum treinamento criará compatibilidade onde ela não existe.
Trovar abriu um portal.
— Vejo vocês antes do fim.
Ele, Sussurro e Érebo desapareceram.
Durante algum tempo, ninguém se afastou. A vitória contra Gabriel havia custado vidas que não retornariam. Carl deixara apenas a marca de sua energia dentro da arma levada por Elaryan.
— Acabou? — Lúcifer perguntou.
André olhou para Trix.
— A guerra acabou. O restante começou agora.
Enquanto os sobreviventes deixavam a praça, algumas pessoas vindas da Terra recolhiam fragmentos de armas, registravam nomes e pediam relatos. André reconheceu o símbolo discreto da Confraria nas roupas de duas delas. A Terra havia acabado, mas a disputa sobre quem conservaria sua história atravessara com eles.
Adwig reconheceu Trix entre os sobreviventes.
— Você conseguiu chegar ao palácio.
— E pretendo voltar — Trix respondeu. — Se ainda houver espaço.
— Já não sei quantas pessoas passaram a chamar aquele lugar de casa. Mais uma não será o problema.
— Mais quatro — André corrigiu. — Eu, Trix, Eva e Moisés.
Moisés olhou na direção das cidades que reproduziam a Terra.
— Acho que não vou com vocês.
Eva se aproximou dele.
— Prefere ficar aqui?
— Se o sangue tem uma jornada, a minha começou na Terra. Quero terminar perto dela.
— Então terminamos juntos.
André abraçou a irmã.
— Voltaremos para visitar vocês.
— Sem o cajado? — Trix perguntou.
Laura havia se aproximado com Carmilla.
— Posso construir uma nave. Os sete planetas estão próximos e foram mantidos dentro do mesmo cinturão. Em algumas semanas, teremos uma rota segura entre eles.
— Algumas semanas? — Lúcifer repetiu.
— Se ninguém decidir explodir mais um planeta enquanto trabalho.
A frase arrancou algumas risadas. Eram fracas, mas foram as primeiras desde a morte de Carl.
Antes de partirem, André procurou a área onde ele havia caído. Não encontrou corpo, túmulo ou partícula para seguir. Encontrou apenas uma marca queimada no chão.
Carl passara a primeira vida correndo atrás de uma bola. Na última batalha, correra para alcançar uma espada.
André se agachou e tocou a pedra escura.
— Obrigado.
Trix esperou ao lado dele.
Depois, seguiram com Adwig para o palácio.