Prioridades Athos - Contra o Tempo · Capítulo 13 de 53
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Prioridades

Athena e Trovar deixaram a casa de Porfur na manhã seguinte. Agradeceram pela comida e ouviram novas recomendações sobre as estradas. Pafam permaneceu perto da porta, observando Athena até que ela se afastasse.

— Poderíamos procurar Drácula sem tanto cuidado — disse Trovar quando já estavam fora do vilarejo. — Pouca gente neste planeta conseguiria nos impedir.

— Athos pediu discrição. Mostrar poder sem entender Ux pode alterar a vida de pessoas que nem conhecemos.

A única pista sobre o Sr. Fantasma levava à Feira do Norte, próxima da divisa com a região mais rica. As histórias sobre suas intervenções apareciam com frequência entre comerciantes e viajantes que passavam por ali.

A feira ocupava uma área aberta tomada por tendas, plataformas e corredores improvisados. Havia produtos, animais, alimentos e pessoas de muitas regiões. Aparelhos luminosos e vendedores competiam por atenção. Os artigos tecnológicos atraíam as maiores filas: equipamentos de gravação, dispositivos conectados ao corpo, transmissores privados e sistemas capazes de lançar som ou imagem a grandes distâncias.

Mercadorias proibidas circulavam em pontos menos visíveis. Quando os fiscais encontravam alguma, confiscavam os produtos e liberavam o vendedor. Trovar suspeitou que parte da fiscalização servisse apenas para abastecer outro mercado.

O escambo era comum, mas a maioria das transações usava identificação ocular. O comprador ficava diante da borda vermelha de uma pequena placa de vidro; o vendedor, diante da azul. Depois que o valor era inserido, três piscadas confirmavam a transferência pela rede do reino.

Athena observou duas operações.

— O corpo de cada pessoa também funciona como documento bancário.

— E provavelmente como registro de tudo o que compra — respondeu Trovar.

Um vendedor lançou uma pequena esfera vermelha na direção de Athena. O objeto explodiu antes que ela reagisse e espalhou sobre seu rosto uma camada de maquiagem brilhante.

— A nova mania é o Jovral! — anunciou o homem. — A senhora precisava mesmo. Parece ter parado em outro século.

Os dedos de Athena começaram a produzir calor.

— Vintage continua bonito em qualquer planeta — disse Trovar, puxando-a para longe.

— Vintage?

— Foi a primeira palavra que encontrei.

— Homens arriscaram a vida em mais de um mundo apenas para me ver.

Trovar escondeu um sorriso.

— E você me acha vintage? — perguntou Athena.

— Eu a acho perigosa demais para responder enquanto ainda está irritada.

Ela limpou o rosto e seguiu andando.

Passaram por uma bebida chamada Submonday, anunciada como experiência semelhante às prisões subterrâneas de Hades. Outra banca oferecia coleções de minérios de planetas diferentes. Simuladores prometiam reconstruir lembranças de vidas em mundos de água, fogo ou vento. Trovar duvidou da autenticidade de quase tudo, sobretudo depois de encontrar três vendedores oferecendo peças íntimas que teriam pertencido à mesma artista famosa.

Na área de alimentos, viu um morcego pousado sobre uma estrutura metálica. Podia ser apenas um animal, mas a coincidência bastou para que tentasse chamar sua atenção. Trovar liberou uma descarga curta perto das asas. O morcego perdeu altura, recuperou o voo e olhou diretamente para ele.

Depois seguiu por um corredor lateral.

Athena e Trovar o acompanharam até um beco. O animal atravessou uma abertura pequena, e uma das portas se abriu logo depois.

Drácula estava do outro lado. Vestia-se de branco.

— Conseguiram me encontrar.

— Com mais facilidade do que eu esperava — disse Trovar. — Precisamos ir. Athos está reunindo aliados e precisa de você.

— Athos terá de esperar. O povo deste planeta precisa de ajuda agora.

Drácula os conduziu para dentro do cômodo vazio onde se escondia.

— Se o Universo acabar, não haverá Ux para você salvar — respondeu Trovar.

— Athos conhece o valor do tempo. Se acreditasse que eu deveria ser retirado daqui contra a vontade, teria vindo pessoalmente. Mandou vocês porque existe uma missão em Ux.

— Ele está fazendo várias coisas ao mesmo tempo e dividiu o grupo.

Trovar abriu um portal.

— Venha.

Drácula não se moveu.

— Podem partir sem mim ou ajudar a concluir o que comecei. Com vocês, terminarei mais depressa.

Trovar sustentou a passagem por alguns segundos. Depois a fechou.

— Você é o Sr. Fantasma? — perguntou Athena.

— Tenho distribuído comida, medicamentos e recursos sem deixar meu nome. Eles transformaram isso numa criatura invisível. O mito cresceu mais rápido do que a ajuda.

Drácula aprendera que Ux possuía metais em grande variedade e quantidade. Muitos habitantes conseguiam alterar pequenas propriedades desses materiais, transformando-os em outros de composição próxima. A abundância não impedia pobreza, dependência ou medo.

— Este planeta serve a dois deuses — disse ele. — Hades e o consumo. Um sustenta o outro. Hades determina o que representa poder, salvação e valor; a população trabalha para comprar símbolos que confirmam essa ordem.

Outros seres poderosos governavam regiões menores. Alguns obedeciam a Hades. Outros alegavam combatê-lo, mas mantinham acordos que preservavam as mesmas relações com a população.

— Entregar alimento resolve um dia — continuou Drácula. — Libertar essas pessoas exige enfrentar aquilo que aprenderam a considerar justo.

— E como pretende fazer isso? — perguntou Athena.

— Derrubando Hades diante delas. A força pode ser necessária, porém derrotá-lo numa luta apenas colocaria outro ser poderoso no lugar. Quero mostrar que ele mente, que sua ordem não é inevitável e que os outros deuses dependem dela.

Trovar cruzou os braços.

— Tudo isso antes de ir conosco?

— Com a ajuda de vocês, sim.

Drácula voltou os olhos para a abertura por onde o morcego entrara.

— Também não me desagrada a possibilidade de cobrar uma das mortes de Athos.

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