Juper Athos - Contra o Tempo · Capítulo 48 de 53
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Juper

Elaryan descreveu três conflitos.

Elfos Primordiais libertos das máquinas enfrentavam Elfos Supremos enquanto o vírus do sono ampliava o próprio domínio. Vampiros, lobos e seres alados convergiam para outra guerra. André estava preso entre Zeus, Poseidon e Hades, numa disputa por pessoas e armas que os elementais pretendiam absorver.

— Nas sequências que conheço, essas frentes terminam com nossa vitória — disse Elaryan. — Este ciclo já possui diferenças. Recorrência não é garantia.

— Então por que esperou as guerras começarem? — perguntou Adwig.

— Porque informação também muda escolhas. Ainda preciso de reações que desapareceriam se todos recebessem tempo para substituí-las por planos melhores.

Athos se levantou.

— Vamos conhecer cada frente antes de distribuir pessoas.

Emma exigiu os nomes de quem estava preso com André. Adwig perguntou onde se encontravam Morpheu e os contaminados. Móretar quis saber o que acontecia com as fadas de Inc. As perguntas se acumularam até Elaryan admitir que não responderia a todas naquele momento.

Ela indicou o palácio como uma possível base. Adwig lembrou que os canais capazes de sugerir desejos permaneceriam bloqueados e que as saídas continuariam abertas.

Athos aproveitou antes que Elaryan partisse.

— E a mulher mascarada? A que estava ligada à criatura reptiliana?

Elaryan sustentou o olhar dele.

— Ela pertence a outra frente. Ainda está fora do seu alcance.

— Quem é ela?

— Se atravessar o fim, terá outra chance de fazer essa pergunta.

Elaryan desapareceu.

Krakor esperou alguns segundos, como se ela pudesse voltar apenas para encerrar a conversa de forma ainda mais irritante.

— Eu não suporto essa mulher.

— Isso não esclarece nenhuma das três guerras — disse Athos.

— Melhora um pouco a reunião.

Uma voz veio da entrada.

— Talvez eu consiga esclarecer parte delas.

Krakor abriu os braços.

— Juper?

— Não é seu bisavô.

Os dois se abraçaram. Krakor riu antes de perguntar onde ele estivera.

Juper contou que permanecera em Nordok. Uma inteligência artificial assumira máquinas, comunicação e transporte. Abrir um portal enquanto a rede funcionava poderia ensinar ao sistema a única forma de deslocamento que ainda lhe faltava. Ele se manteve isolado até as primeiras falhas permitirem que Elaryan o retirasse.

— Foi ela quem derrubou a rede? — perguntou Adwig.

— Não. E ainda existem partes ativas.

Juper projetou três mapas sobre a mesa. O primeiro mostrava Nordok, os exércitos élficos e a expansão do vírus. O segundo reunia Kimmer, Inc e as rotas que levavam os sobreviventes em direção a Paradise. O terceiro acompanhava André e os elementais.

— Não possuo respostas completas — disse Juper. — Cada frente tem riscos que ainda desconhecemos. Quem partir precisa saber disso.

No mapa de Nordok, os Primordiais ainda dependiam de estruturas controladas pela inteligência artificial. Os Supremos sustentavam parte de sua energia retirando-a de outros seres. Destruir as máquinas libertaria pessoas e também retiraria recursos de quem já não sabia viver sem elas.

Adwig reconheceu que sua experiência com uma consciência viral poderia ajudar. Recusou ser tratada como solução automática. Krakor e Médera decidiram acompanhá-la. Dircle anunciou que também iria. Teleret quis se juntar ao grupo, e Adwig pediu que saísse do palácio antes de confirmar a decisão.

Móretar escolheu voltar a Inc. Odin usava o poder das fadas, e a ruptura aberta na caverna ameaçava alcançar regiões além da cidade. Dafa se ofereceu primeiro. Arthur, Bel, Conelli, Hertho e Carl formaram o restante do grupo sem esperar que Juper os designasse.

Emma assumiu a frente ligada a André e às armas. Raquel e as guerreiras avaliaram quais comunidades ainda precisavam de retirada antes de qualquer combate.

Juper ampliou o mapa de Kimmer.

Dois grupos capazes de negociar já estavam próximos. Segundo as sequências conhecidas, essa negociação impediria uma evolução necessária para enfrentar a guerra seguinte. A ruptura começaria com a morte física de Carmilla. Drácula teria de executar o golpe e liderar seu povo no confronto.

— Você está pedindo que eu mate uma mulher que tentará conversar comigo — disse Drácula.

— Estou apresentando o que ocorreu nas sequências que alcançaram a batalha posterior — respondeu Juper. — Não chamarei isso de justiça.

Athos examinou o mapa.

— E se encontrarmos outra forma de produzir a evolução?

— Tentem. O tempo disponível e os meios que conhecemos não apontam uma. Se a luta não acontecer, parte dos grupos chega fraca demais à convergência. Outra parte nem chega.

Drácula perguntou se Carmilla renasceria. Juper confirmou que sua partícula essencial e sua partícula cerebral seguiriam o fluxo comum de Kimmer. A confirmação retirava a destruição definitiva do cenário. Não diminuía a decisão de matar alguém para provocar uma guerra.

— Eu aceito ir — disse Drácula. — A responsabilidade pelo golpe será minha. Não vou fingir que uma previsão executou meu braço.

Athos aceitou transportá-lo. Depois seguiria para Inc, onde prometeu encontrar Móretar.

Juper mostrou uma pequena aranha na palma da mão.

— As Juperas são filhas de Arakira, minha simbiose. Quando ativadas, transmitem o que escutam e levam minha voz até quem as carrega. Não acessam pensamentos e não mantêm o canal aberto depois do uso. Quem aceitar pode levar uma. Quem recusar continuará com os outros meios.

Athos permitiu que uma delas se acomodasse atrás de sua orelha. Adwig, Krakor e Médera também aceitaram. Dircle começou a conversar com a própria aranha antes de ativar qualquer canal.

Teleret voltou do jardim.

— Ainda quero ir.

Adwig perguntou por quê.

— Nordok faz parte da história do nosso pai. E ficar aqui não impede o que está chegando.

— O palácio sugeriu essa resposta?

— Lá fora eu lembrei por que gosto de ir embora dos lugares.

Adwig aceitou.

Os grupos se despediram sem promessa de retorno. Athos abriu o primeiro portal quando Carmilla desenhou no ar o sinal de localização ensinado por André.

Kimmer surgiu do outro lado.

Carmilla estava em forma de dragão, cercada por seus vampiros. Laura e Lúcifer permaneciam próximos. Magno ocupava o lado oposto com lobos, soldados e os vampiros que haviam chegado de Dracs.

— Onde está André? — perguntou Carmilla. — E quem você trouxe?

— André está preso e precisa ser libertado. Eu vi a batalha que começa aqui. Se eu a impedir, este grupo não chegará até ele.

Carmilla abaixou a cabeça até os olhos ficarem na altura de Athos.

— Quem decidiu isso?

— Ninguém decidiu por vocês. Eu vi acontecer e ainda não consigo explicar tudo. Este é Drácula, rei do povo que veio de Dracs.

Athos percebeu a fragilidade da própria resposta. Chamava de visão uma sequência que pretendia preservar e dizia que ninguém decidira enquanto entregava a Drácula a função que iniciaria o confronto.

— Sinto muito — disse. — Se eu interferir agora, posso impedir o que surge depois desta batalha.

Abriu o portal de volta.

— É bom ver você, Lúcifer. Eu sabia que sobreviveria.

— Sobreviver é modo de dizer. Você precisa explicar...

Athos atravessou antes que Lúcifer terminasse. Enquanto a passagem se fechava, viu Drácula alcançar Carmilla. O braço atravessou o abdome da forma dracônica e destruiu o coração. Carmilla recuperou o corpo humano por um instante e desapareceu.

O grito de Laura passou pelo portal antes do silêncio.

Athos retornou a Fóster diante da própria casa. Deveria partir para Inc. Continuou parado.

Criara Vésper para que reencontros durassem mais que as emergências. Queria um lugar onde morrer deixasse de ser o caminho necessário para qualquer transformação. Agora ajudara a produzir uma guerra que talvez fosse evitada se Carmilla e Magno tivessem terminado a conversa.

Ela renasceria. Os demais também. Repetir isso tornaria a decisão mais suportável e igualmente calculada.

Athos olhou para o portal já fechado. A lembrança do golpe permaneceu.

— Esse também sempre foi meu sonho — disse Elaryan atrás dele.

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