Ataque Impulsivo
A passagem negra comprimiu o corpo de Athos e o reconstruiu várias vezes antes de devolvê-lo a uma caverna. Quando conseguiu respirar, Hades já estava no chão.
Hagar o mantinha cercado com Krakor, Dafa, Bel, Freya e Perséfone. O aviso de Athos indicara a saída, sem explicar quem atravessaria ou em que estado chegaria. Hagar percebera que a caverna possuía gases semelhantes aos do Submundo e ordenara a troca do ar antes da aparição de Hades.
Nerfate, Henri e Magno protegiam as entradas. Henri procurara Hagar por causa de uma alteração que sentira na prisão de Perséfone, e os três ainda estavam na caverna quando a mensagem de Athos chegou. Os companheiros de Athos atravessaram depois, ainda afetados pela passagem.
Hagar exigiu que Hades libertasse Perséfone.
— Eu não criei a prisão — respondeu ele. — Mesmo que quisesse, não conseguiria desfazê-la.
Perséfone viu Athena e começou a chorar.
— Perdoe-me.
Athena aproximou-se devagar. As lembranças devolvidas por Hades ainda não possuíam ordem suficiente para determinar culpa.
— Primeiro vamos descobrir pelo quê.
Elas se abraçaram. Hades aplaudiu e afirmou que Perséfone tivera a ideia de usar o amor dele para chantagear Athena. Perséfone não negou. Disse que se lembrava de desejar afastá-la e também de ter sido orientada a repetir certas frases. Não sabia onde terminava a vontade dela e começava a interferência dos outros.
Silency tocou a testa de Hades. Ele ficou imóvel, perdeu o ar e tentou afastar imagens que ninguém mais via. Quando o contato terminou, caiu de joelhos.
— O que você fez?
— Aprendi a usar uma parte do seu método — respondeu Silency. — Meu corpo produz o que preciso. Não dependo do ar daqui.
Athena não sentiu a dor que surgira durante o ataque de Drácula. O elo continuava em sua mente, porém não respondia a todos os ferimentos de Hades. A garantia dele podia misturar uma ligação real e uma ameaça ampliada pelo gás.
Hades revelou que outra pessoa naquele planeta possuía capacidade semelhante. Elaryan a mantivera escondida e usara seu poder para prender Perséfone. Sustentar o feitiço limitava o responsável, que esperava ser libertado no momento prometido.
Henri disse que talvez soubesse onde procurar. Hades olhou para ele pela primeira vez.
— Talvez seja agora — disse Hades.
Pressionou a pedra de um anel. Um portal surgiu atrás dele. Poseidon atravessou com o tridente erguido, perfurou Silency e a segurou como escudo.
— Obrigado por trocar o ar — disse. — Antes eu não conseguia abrir passagem até aqui.
Poseidon levou Silency e Hades pelo portal. Athos tentou segui-los, mas a abertura fechou.
Ele criou outra imediatamente. Sussurro segurou seu braço.
— Você não sabe o que existe do outro lado.
— Sei onde fica Atlas.
— Acabamos de vencer Hades e perdemos Silency em seguida. Entre com raiva e Poseidon usará isso.
Athos chorava enquanto tentava soltar o braço.
— Se fosse você, eu já teria atravessado.
Hagar perguntou se Trovar conseguiria abrir outra passagem. Ao ouvir que sim, dividiu o grupo. Krakor, Dafa, Nerfate, Drácula, Lúcifer e Sussurro seguiriam Athos. Trovar, Bel, Athena, Henri, Perséfone e Freya permaneceriam com Hagar para investigar a indicação de Henri e localizar a origem da prisão. Magno ajudaria a proteger a saída.
O grupo de Athos fez escalas por espaços intermediários antes de alcançar Atlas. Durante as passagens, ele deixou aliados em pontos diferentes do planeta para observar rotas de fuga. Não possuía visão alguma do que encontrariam.
O Palácio de Poseidon erguia-se sob uma água cuja composição permitia respirar. Os movimentos alternavam passos, saltos longos e impulsos semelhantes ao nado.
Athos destruiu a porta com um golpe.
— Qual é o plano? — perguntou Dafa.
— Encontrar Silency.
Soldados atacaram no salão. Athos os derrubou depressa demais, usando força suficiente para quebrar armas e deixar corpos inconscientes. Krakor tentou acompanhá-lo e depois diminuiu o ritmo ao perceber que Athos não avaliava quem estava diante dele.
— Eles podem estar sob controle — gritou Dafa.
Athos ouviu. No golpe seguinte, alterou a trajetória para evitar o pescoço de um soldado. A correção não reduziu sua pressa.
Subiu a escadaria principal e atravessou um corredor até o salão do trono. Poseidon o esperava sentado. Silency estava presa a uma estrutura atrás dele, e Hades mantinha uma lâmina junto à garganta dela.
Por um instante, Athos pensou que poderia encontrá-la depois da morte. A ideia surgiu pronta, produzida pela urgência, e o horrorizou antes que se transformasse em plano.
Poseidon mostrou o recipiente nas mãos de Hades.
— Este soro mata e conduz a partícula para qualquer planeta escolhido. Se ela morrer aqui, você poderá procurá-la pelo restante desta existência.
Silency estava ferida, porém consciente. Pediu que Athos não atacasse.
Poseidon apresentou-se como rei de Atlas. Viera de um nível superior e fora aprisionado ali. Mesmo sem deixar o planeta, aprendera a alcançar mundos inferiores por voz, imagem e manipulação de elementos.
— Por que está explicando isso? — perguntou Drácula.
— Porque preciso de tempo.
— Para quê?
— Para algo acontecer com Athos.
Uma sequência longa tomou a mente dele. O salão desapareceu. As imagens tinham a mesma força das que antes confundira com futuro, porém nenhuma se ligava aos segundos seguintes.
Athos caiu de joelhos.
Hades soltou Silency e recuou. Uma figura atravessou o salão em direção a ele.
Athos reconheceu Adwig e tentou gritar. Ela já havia iniciado o ataque.