Enfrentando o Medo Athos - Contra o Tempo · Capítulo 17 de 53
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Enfrentando o Medo

Os olhos de Pronte brilharam quando Emma chamou Athos de um dos seres mais poderosos do Universo.

— Talvez seja mentira — disse o capitão. — Ainda assim, uma história dessas aumenta o preço.

Ele agradeceu pela propaganda e abriu o recipiente. O gás amarelo alcançou Emma primeiro. Athos tentou afastá-lo, mas a armadilha retirou a pouca energia que conseguiu reunir.

Despertou preso a um tronco fixado no fundo do mar. Algemas transparentes envolviam seus pulsos e tornozelos. Emma estava ao lado. Outros prisioneiros ocupavam duas fileiras, todos presos ao mesmo tipo de estrutura.

Athos manteve os olhos fechados. A água permitia que respirassem e se movessem como se estivessem em terra firme. Também ampliava sua percepção dos elementos. As algemas drenavam energia por contato, mas possuíam matéria, pontos de tensão e pequenas diferenças na distribuição interna.

Começou por uma alteração menor do que a armadilha pudesse perceber.

Pronte apresentava os cativos a compradores reunidos numa plataforma acima deles. Inventava origens, poderes e crimes conforme observava o interesse de cada pessoa. A mulher protegida pelos feruns virou chefe de uma rebelião interplanetária. As duas crianças foram anunciadas como herdeiras de um reino desaparecido. Os animais seriam vendidos com elas porque ninguém conseguira separá-los sem perder parte da tripulação.

Quando chegou a Athos, Pronte repetiu a descrição de Emma.

— Um dos seres mais poderosos do Universo. Capturado pessoalmente por mim.

Um comprador riu.

— Se fosse tão poderoso, não estaria amarrado no fundo de Lagos.

Athos abriu os olhos.

— Talvez você devesse confiar mais no pirata de quem pretende comprar pessoas.

As algemas se partiram. Athos soltou o tronco do solo e usou a água para lançá-lo contra a plataforma. Pronte caiu junto dos compradores. Antes que os guardas alcançassem as armas, descargas atravessaram o líquido e romperam os mecanismos que mantinham os prisioneiros presos.

Os três feruns correram para a mulher e as crianças. Um permaneceu diante delas. Os outros avançaram pelos lados, derrubando quem tentava se aproximar. Não perseguiram os homens que fugiam nem responderam às ordens gritadas por Athos. Recuavam sempre que o grupo protegido mudava de posição.

Emma recuperou o equilíbrio e tomou uma espada caída.

— Demorou para decidir ser poderoso.

— Eu estava estudando as algemas.

— Claro.

Athos prendeu Pronte e os compradores com o material retirado dos cativos. A armadilha continuava drenando energia, por isso arrancou do solo o núcleo que a alimentava. A pressão desapareceu. O objeto cabia em suas duas mãos e permaneceu ativo até ele isolar sua superfície com uma camada de matéria produzida ali mesmo.

Parte dos libertos queria alcançar a cidade submersa de Lagos. Outros haviam sido capturados longe daquele planeta e não possuíam meios de voltar. Athos abriu duas passagens. Indicou a primeira para quem conhecia a cidade. A segunda levava a Vésper.

A mulher ferida reuniu as crianças e atravessou para Vésper. Os feruns foram atrás. Um deles parou diante do portal e olhou para os prisioneiros que permaneciam em Lagos. Só entrou depois que os últimos membros do pequeno grupo escolheram a mesma passagem.

Pronte protestou ao perceber que Athos também retiraria o núcleo da armadilha.

— Isso é propriedade privada.

— As pessoas também eram, segundo você.

— Comparação injusta. O aparelho vale muito mais.

Athos atravessou antes que o capitão continuasse.

Do outro lado, Natane correu até Emma. Leiva veio logo atrás. As duas falavam ao mesmo tempo, tentando saber por que ela desaparecera e onde estivera.

— Foi um pouco mais complicado do que parece — disse Athos. — Para nós, passaram mil duzentos e cinquenta anos.

Natane perdeu a força nas pernas.

Emma empurrou o ombro dele.

— É uma brincadeira. Passaram alguns dias.

Leiva abraçou Emma antes de reclamar. Natane levantou-se e exigiu uma explicação sem números inventados.

— Morri durante o fechamento do portal, meu corpo foi para Vésper, eu fui para Lagos, quase entendi todos os segredos do Universo e depois nós dois fomos capturados por piratas — resumiu Emma. — Athos demorou um pouco, mas nos tirou de lá.

Creteas observava o núcleo isolado nas mãos dele.

— Isso fez você demorar?

— Retirava energia antes que eu conseguisse agir. Na água, encontrei uma forma de alterar o material aos poucos. Quero estudar o mecanismo, mas ficará isolado enquanto não soubermos o que mais pode atingir.

Os recém-chegados de Lagos permaneciam próximos. Os feruns circulavam ao redor deles, atentos ao movimento da praça. Um dos homens envolvidos na discussão dos alojamentos aproximou-se das casas vazias e apontou para a região estável.

— Eles podem ficar ali enquanto decidimos.

Dafa olhou para Athos.

— Agora temos mais pessoas e a mesma pergunta.

Athos percebeu que poderia criar outra área antes que a conversa terminasse. Também percebeu que repetiria a resposta que já vinha dando a todos os problemas de Vésper.

— Ninguém ocupará as casas reservadas até sabermos se o povo para o qual foram preparadas virá — disse. — Montaremos abrigos temporários nesta praça. As três comunidades e os recém-chegados escolherão representantes para decidir a distribuição comigo quando eu voltar.

— Quando voltar de onde? — perguntou Dafa.

— Ux.

A mulher ferida levantou a cabeça.

— Foi onde nos capturaram. Estávamos saindo de uma região controlada por um dos governantes ligados a Hades.

Athos contou que Drácula tentava construir uma cidade fora daquele sistema. A mulher, chamada Maeli, conversou com os demais. Cinco adultos decidiram acompanhá-lo para avaliar o lugar. As crianças ficariam em Vésper com parte do grupo. Os feruns dividiram-se sem que ninguém ordenasse: dois permaneceram com as crianças; o maior aproximou-se de Maeli.

Natane ainda avisou que animais em primeira vida haviam sido encontrados perto do rio de Néon. Athos guardou a informação e pediu que ninguém os retirasse dali antes de compreenderem o ambiente.

Chamou Silency e Sussurro. As duas ouviram o relato de Lagos e olharam para ele como se sua ausência tivesse durado poucos minutos, porque em Vésper era exatamente o que acontecera.

— Preciso ir a Ux — disse Athos. — E não quero ir sozinho.

Silency reconheceu o medo antes que ele o nomeasse. Sussurro segurou a mão dele.

Athos abriu a passagem.

Em Ux, encontrou o rastro de Athena e depois o de Trovar. Surgiu perto das primeiras construções erguidas sobre o lixão. Drácula estava com eles.

— Ótimo — disse Athos. — Eu me preparava para procurar você pelo planeta inteiro.

Abriu outro portal.

— Podemos sair agora.

Drácula não se moveu.

— Ainda não.

Athos olhou para a cidade incompleta, para os habitantes que começavam a chegar e para o castelo de ouro ao fundo. Permanecer em Ux devolvia lembranças que seu corpo atual nunca vivera. A vontade era atravessar a passagem e tratar o planeta como missão concluída.

Fechou o portal.

— Então me explique o que falta.

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