A Visão que Mudou Tudo Athos - Contra o Tempo · Capítulo 47 de 53
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A Visão que Mudou Tudo

A batalha ocupava o céu e o solo. Athos via asas, simbioses, armas e corpos atravessando campos de energia que mudavam de direção antes de alcançar o alvo. Chovia sobre uma parte do terreno. Em outra, o gelo subia em blocos e se rompia no ar. Ondas eletromagnéticas desorganizavam os ataques. Alterações de gravidade arrancavam combatentes do chão e os lançavam contra grupos que ele não conseguia reconhecer.

Alguns rostos pareciam conhecidos. Os nomes não vinham.

Athos criava escudos. Protegia pessoas atrás dele, abria passagens e tentava acompanhar a espada em sua mão. Sabia que precisava entregá-la, embora ainda não entendesse por quê.

Elaryan surgiu ao lado dele.

— Vou abrir a frente. Estamos próximos. Quando Adwig avançar, proteja o caminho.

Ela partiu sem esperar resposta. Campos de força empurraram combatentes para os lados. Explosões atingiram o solo e dividiram a batalha, formando um corredor estreito.

Adwig apareceu no começo da passagem.

Athos chamou por ela e estendeu a espada.

— Pegue. Chegou a hora de tentarmos sobreviver ao fim do Universo. Tudo depende de você.

Adwig recebeu a arma. A lâmina reagiu ao contato como se já carregasse outras forças. Athos tentou observá-la, porém rajadas desceram de pontos diferentes do céu. Reconheceu que eram ataques aliados protegendo a corrida dela.

Elaryan se virou no fim do corredor.

— Agora, Athos!

O branco apagou o campo.

Athos acordou gritando.

Athena se sentou ao lado dele. Sussurro já procurava as roupas, e Trovar examinava a porta do quarto.

— O que aconteceu? — perguntou Athena.

Athos demorou a reconhecer a cama, as paredes e o céu de Tomunos além da janela. Ainda sentia a espada deixando sua mão.

— A visão de Adwig. Desta vez ela continuou.

Trovar voltou a olhar para ele.

— Continuou até onde?

— Até eu entregar minha espada a ela. Estávamos numa guerra. Elaryan abria o caminho, e eu protegia Adwig.

Sussurro interrompeu o movimento de vestir a camisa.

— Vocês lutavam com Elaryan?

— Pelo menos naquele momento.

Athos contou o que conseguia organizar. A batalha parecia reunir povos de vários mundos. Adwig precisava alcançar alguma coisa ou alguém. A arma reagia de uma forma que ele nunca havia visto. Depois vinha o branco.

— Pode ser uma possibilidade entre outras — disse Athena.

— Pode. Ainda assim, é a primeira vez que vejo o que acontece depois da frase que repeti para Adwig.

Trovar sugeriu que voltassem ao palácio. A reunião começaria em pouco tempo, e aquela informação modificava o que todos esperavam encontrar.

Athos se levantou. A impressão deixada pela cena era diferente das visões anteriores. O campo de batalha não parecia apenas uma imagem esperada. Havia reações que seu corpo reconhecia antes que ele as compreendesse. Guardou a suspeita. Tinha fragmentos demais para chamar aquilo de lembrança.

Encontraram as portas do palácio abertas e algumas pessoas testando os caminhos até a área externa. Emma e Raquel registravam quem saía e retornava. Hermes mantinha bloqueadas as funções capazes de sugerir desejos.

Adwig explicou que a casa ultrapassara as autorizações durante a noite. Teleret e outros convidados chegaram a desejar permanecer ali para sempre. As rotas continuariam abertas, e ninguém decidiria ficar antes de passar algum tempo longe da influência do palácio.

Athos olhou para Trovar. A casa dele também respondera a memórias e desejos, embora não tivesse tentado reter os visitantes.

— Depois verificamos as outras casas — disse Trovar.

No salão principal, Athena pediu uma mesa. A estrutura surgiu com cadeiras suficientes para quem já chegava, porém só depois da solicitação. Hermes confirmou que aquela função permanecia autorizada.

Krakor entrou com Médera e comentou que nunca imaginara encontrar Athos antes do horário. Athos respondeu que a pontualidade de Krakor era uma surpresa maior. A troca arrancou algumas risadas, logo vencidas pelas perguntas de quem aguardava a reunião.

Adwig chegou com Dafa, Móretar e Hermes. Emma permaneceu perto das portas. Teleret observava o jardim do lado de fora, ainda avaliando o que desejava longe da casa.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Adwig.

— Recebi outra parte da visão sobre você.

Athos descreveu a guerra, Elaryan abrindo o corredor e a entrega da espada. Adwig ouviu sem tentar completar as lacunas.

— Você viu o que eu precisava fazer com ela?

— Não. Vi que a arma reagia de outro modo em suas mãos e que todos protegiam seu avanço. Depois, tudo ficou branco.

Emma se aproximou da mesa.

— E lutar ao lado de Elaryan significa o quê?

— Que nossos objetivos se encontram naquela batalha. Não sei o que ela pretende antes ou depois.

A resposta chegou ao salão junto de Elaryan.

— Antes disso, há três frentes que precisam sobreviver.

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