A Visão que Mudou Tudo
A batalha ocupava o céu e o solo. Athos via asas, simbioses, armas e corpos atravessando campos de energia que mudavam de direção antes de alcançar o alvo. Chovia sobre uma parte do terreno. Em outra, o gelo subia em blocos e se rompia no ar. Ondas eletromagnéticas desorganizavam os ataques. Alterações de gravidade arrancavam combatentes do chão e os lançavam contra grupos que ele não conseguia reconhecer.
Alguns rostos pareciam conhecidos. Os nomes não vinham.
Athos criava escudos. Protegia pessoas atrás dele, abria passagens e tentava acompanhar a espada em sua mão. Sabia que precisava entregá-la, embora ainda não entendesse por quê.
Elaryan surgiu ao lado dele.
— Vou abrir a frente. Estamos próximos. Quando Adwig avançar, proteja o caminho.
Ela partiu sem esperar resposta. Campos de força empurraram combatentes para os lados. Explosões atingiram o solo e dividiram a batalha, formando um corredor estreito.
Adwig apareceu no começo da passagem.
Athos chamou por ela e estendeu a espada.
— Pegue. Chegou a hora de tentarmos sobreviver ao fim do Universo. Tudo depende de você.
Adwig recebeu a arma. A lâmina reagiu ao contato como se já carregasse outras forças. Athos tentou observá-la, porém rajadas desceram de pontos diferentes do céu. Reconheceu que eram ataques aliados protegendo a corrida dela.
Elaryan se virou no fim do corredor.
— Agora, Athos!
O branco apagou o campo.
Athos acordou gritando.
Athena se sentou ao lado dele. Sussurro já procurava as roupas, e Trovar examinava a porta do quarto.
— O que aconteceu? — perguntou Athena.
Athos demorou a reconhecer a cama, as paredes e o céu de Tomunos além da janela. Ainda sentia a espada deixando sua mão.
— A visão de Adwig. Desta vez ela continuou.
Trovar voltou a olhar para ele.
— Continuou até onde?
— Até eu entregar minha espada a ela. Estávamos numa guerra. Elaryan abria o caminho, e eu protegia Adwig.
Sussurro interrompeu o movimento de vestir a camisa.
— Vocês lutavam com Elaryan?
— Pelo menos naquele momento.
Athos contou o que conseguia organizar. A batalha parecia reunir povos de vários mundos. Adwig precisava alcançar alguma coisa ou alguém. A arma reagia de uma forma que ele nunca havia visto. Depois vinha o branco.
— Pode ser uma possibilidade entre outras — disse Athena.
— Pode. Ainda assim, é a primeira vez que vejo o que acontece depois da frase que repeti para Adwig.
Trovar sugeriu que voltassem ao palácio. A reunião começaria em pouco tempo, e aquela informação modificava o que todos esperavam encontrar.
Athos se levantou. A impressão deixada pela cena era diferente das visões anteriores. O campo de batalha não parecia apenas uma imagem esperada. Havia reações que seu corpo reconhecia antes que ele as compreendesse. Guardou a suspeita. Tinha fragmentos demais para chamar aquilo de lembrança.
Encontraram as portas do palácio abertas e algumas pessoas testando os caminhos até a área externa. Emma e Raquel registravam quem saía e retornava. Hermes mantinha bloqueadas as funções capazes de sugerir desejos.
Adwig explicou que a casa ultrapassara as autorizações durante a noite. Teleret e outros convidados chegaram a desejar permanecer ali para sempre. As rotas continuariam abertas, e ninguém decidiria ficar antes de passar algum tempo longe da influência do palácio.
Athos olhou para Trovar. A casa dele também respondera a memórias e desejos, embora não tivesse tentado reter os visitantes.
— Depois verificamos as outras casas — disse Trovar.
No salão principal, Athena pediu uma mesa. A estrutura surgiu com cadeiras suficientes para quem já chegava, porém só depois da solicitação. Hermes confirmou que aquela função permanecia autorizada.
Krakor entrou com Médera e comentou que nunca imaginara encontrar Athos antes do horário. Athos respondeu que a pontualidade de Krakor era uma surpresa maior. A troca arrancou algumas risadas, logo vencidas pelas perguntas de quem aguardava a reunião.
Adwig chegou com Dafa, Móretar e Hermes. Emma permaneceu perto das portas. Teleret observava o jardim do lado de fora, ainda avaliando o que desejava longe da casa.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Adwig.
— Recebi outra parte da visão sobre você.
Athos descreveu a guerra, Elaryan abrindo o corredor e a entrega da espada. Adwig ouviu sem tentar completar as lacunas.
— Você viu o que eu precisava fazer com ela?
— Não. Vi que a arma reagia de outro modo em suas mãos e que todos protegiam seu avanço. Depois, tudo ficou branco.
Emma se aproximou da mesa.
— E lutar ao lado de Elaryan significa o quê?
— Que nossos objetivos se encontram naquela batalha. Não sei o que ela pretende antes ou depois.
A resposta chegou ao salão junto de Elaryan.
— Antes disso, há três frentes que precisam sobreviver.