Revelações? Athos - Contra o Tempo · Capítulo 24 de 53
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Revelações?

Hades olhou para Athena como se os ataques à Cidade da Paz fossem uma interrupção desagradável entre conhecidos.

— Finalmente voltou.

Athena reconhecia o rosto e a cadência da voz. Nenhuma lembrança conseguia completar a familiaridade.

— Foi você que enviou aqueles seres para me capturar?

— Eu queria conversar antes que Ares transformasse tudo em guerra. Ele nunca compreendeu a diferença.

Athos perguntou por que Athena era importante. Hades ignorou a pergunta e se aproximou dela.

— Seu amigo tentou abrir o bloqueio e parou quando encontrou resistência. Posso mostrar o que ele não alcançou.

— Afaste-se — disse Athos.

Athena ergueu a mão para contê-lo.

— Se você consegue devolver minhas lembranças, faça.

Hades tocou a testa dela.

As imagens chegaram sem ordem. Athena viu os salões de Olimpo, Hades mais jovem, Perséfone atravessando um jardim e Elaryan diante dos governantes derrotados. Sentiu desejo, ciúme e medo com intensidade suficiente para reconhecer que haviam pertencido a ela. Também viu Hades cair depois de produzir uma descarga em seu cérebro.

Athena desabou. Athos atacou Hades antes de perguntar o que acontecera. Os golpes quebraram o nariz e deslocaram a mandíbula dele. Hades não reagiu. Continuou sorrindo enquanto o sangue escorria.

— Pare! — gritou Athena.

Athos ainda lançou outro golpe antes de ouvi-la. Recuou quando ela repetiu a ordem.

— Você acabou de prometer que ninguém decidiria pelos outros com base numa história incompleta — disse Athena.

Hades recompôs o rosto.

— Ele aprende depressa quando o futuro concorda com ele.

Athena contou apenas o que conseguia distinguir. Fora apaixonada por Hades durante a primeira ocupação de Olimpo. Perséfone também o amava. Elaryan prometera isolar Athena no planeta e permitir que Perséfone permanecesse com Hades. Em algumas imagens, Athena usava seus poderes para influenciar as emoções dele. Em outras, tentava impedir que alguém fizesse o mesmo.

— As duas coisas parecem lembranças — disse ela. — Isso não significa que aconteceram na mesma ordem.

Falarin afirmara que Athena aquecera o planeta para impedir a formação de um exército. Hades apresentou outro motivo: ela temia perdê-lo. Uma razão não anulava necessariamente a outra. Athena poderia ter agido por ciúme, cálculo político e medo ao mesmo tempo.

— Elaryan pediu que eu bloqueasse aquele período — disse Hades. — Ela precisava que Athena reconstruísse Olimpo sem tentar recuperar os primeiros habitantes.

— E por que você obedeceu? — perguntou Trovar.

— Porque algumas propostas só parecem escolhas para quem não ouviu a ameaça.

Athos não conseguia saber se Hades dizia a verdade. Suas antecipações haviam desaparecido desde a entrada nos rios.

— Mostre tudo a ela — disse.

— Não existe tudo. Existem regiões preservadas, regiões destruídas e aquilo que cada pessoa suportou guardar.

Athena tentou se levantar. Hades ofereceu a mão. Ela recusou.

— Você selecionou o que devolveu?

— Abri o bloqueio que eu criei.

— Não foi o que perguntei.

Hades não respondeu.

Athos avançou outra vez. Hades sacou a espada e atravessou seu abdômen. Silency e Sussurro tentaram alcançá-lo, mas uma rajada as lançou para trás. Trovar disparou eletricidade. Hades desviou a carga para a parede.

Drácula alterou a fluidez do sangue dele. O coração de Hades perdeu o ritmo, e Athena gritou no mesmo instante. A dor a derrubou outra vez.

Athos pediu que Drácula interrompesse o ataque. Hades recuperou o controle e lançou um projétil metálico contra o vampiro. O objeto atravessou seu ombro.

— Agora entenderam — disse Hades. — Quando abri o bloqueio, também criei uma ligação. Se meu coração parar, o cérebro de Athena para comigo.

Athena tentou sentir o vínculo dentro da própria cabeça. Encontrou uma tensão que aumentava sempre que Hades se afastava ou sofria algum dano.

— Você chama isso de proteção? — perguntou ela.

— Chamo de garantia.

Hades ergueu a mão. Um pássaro dourado saiu de uma das torres, desceu até a rua e assumiu forma humana. O homem era alto, forte e vestia vermelho. Seu sorriso não se alterou quando viu o sangue.

— Lúcifer — disse Hades. — Cuide dos nossos convidados.

Lúcifer fechou o ferimento de Athos e restaurou parte de sua energia. Depois retirou o projétil do ombro de Drácula e recompôs os tecidos. Tratava cada lesão com atenção, sem demonstrar qualquer reação ao sofrimento que Hades acabara de causar.

Athos tentou usar a nova simbiose. A forma do boto respondeu com um espasmo que atravessou sua coluna. A disputa entre os vínculos continuava e impedia uma transformação completa fora da água.

— Não tente outra vez aqui — disse Sussurro.

Hades percebeu a dificuldade e guardou a informação.

Athena permaneceu afastada de Athos.

— Você me usou como alvo porque viu que funcionaria. Agora atacou porque decidiu que eu precisava ser defendida.

— Eu achei que ele estivesse destruindo sua mente.

— Pergunte antes de transformar o que você acha numa ordem para todos.

Athos não encontrou resposta que não repetisse uma justificativa já recusada.

Hades convidou o grupo a conhecer o Submundo antes de julgá-lo. Disse que mostraria as pessoas mantidas ali, a energia extraída delas e o que aconteceria com Ux se o sistema deixasse de existir de uma vez.

Silency perguntou se o convite permitia recusa.

— Permite — respondeu Hades. — Athena morrerá se tentarem me matar, e vocês não conhecem a saída. Ainda assim, podem recusar.

Lúcifer perguntou qual seria o primeiro destino.

— Vamos começar por quem foi meu primeiro pai.

O sorriso de Lúcifer permaneceu, mas seus ombros ficaram rígidos.

Athos tentou enxergar alguns minutos à frente. Nada surgiu. Entrara no domínio de Hades sem visão, com uma simbiose instável e uma versão do passado que já começava a se contradizer.

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