A História de Olimpo Athos - Contra o Tempo · Capítulo 21 de 53
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A História de Olimpo

O primeiro homem a deixar as fileiras rendidas chamou-se Falarin. Retirou a arma do cinto, colocou-a no chão e pediu para falar com Athena sem se ajoelhar.

— Foi o que ela ordenou — respondeu Maeli.

Falarin ergueu a cabeça. Disse que pertencera à primeira população de Olimpo, antes do planeta ser esvaziado e ocupado outra vez. Athena procurou alguma lembrança em seu rosto e encontrou apenas uma familiaridade incômoda.

O conselho levou Ares, os dois seres aprisionados e os demais combatentes para áreas separadas. Parte dos moradores queria executá-los. Outros defendiam que homens enviados para morrer não deveriam receber uma segunda sentença de quem os salvara. A discussão continuava quando Falarin começou a contar o que sabia.

Trovar projetou um mapa a partir das descrições dele. Olimpo fora dividido entre cidades erguidas por renascidos de enorme poder. Atenas ocupava as montanhas do norte e respondia a Athena. Atlantis, ao sul, pertencia a Poseidon e atravessava três densidades: atmosfera, um rio suspenso entre líquido e gás e, abaixo dele, o mar. Creta ficava a noroeste, sob Afrodite. Tróia, a sudeste, era conduzida por Apolo e Eros. Zeon e Arquemis viviam em Tebas, no centro. Hades e Perséfone haviam transformado o subsolo entre o centro e o sudoeste em Esparta.

— Éramos líderes — disse Falarin. — Depois começamos a chamá-los de deuses. Talvez tenha sido aí que tudo se perdeu.

O planeta recebia renascidos, distribuía recursos e oferecia cidades preparadas para diferentes corpos e necessidades. A prosperidade tornou os governantes poderosos e a população dependente deles. Ainda assim, Falarin recordava aquele período como o melhor de sua existência.

Elaryan chegou durante uma competição em Tebas. Subjugou Zeon e Arquemis diante do público e bloqueou o acesso dos dois aos elementos. Quando os outros governantes tentaram enfrentá-la, ela conhecia as fraquezas de cada um e os derrubava antes que organizassem um ataque conjunto.

— O que ela queria? — perguntou Athena.

— Todos nós.

Falarin contou que Elaryan anunciara o controle de Olimpo e determinara que a população seria levada para outros planetas. Alguns ouviram uma declaração de escravidão. Outros acreditaram que ela dizia estar salvando o planeta de seus deuses. As versões haviam sobrevivido em grupos separados, e cada grupo jurava ter escutado as palavras exatas.

Athena evitou o confronto direto. Observou a invasora, calculou quanto ela podia transportar e aqueceu a atmosfera. O aumento começou longe das cidades e avançou até tornar a respiração difícil. Elaryan passou a abrir portais para retirar habitantes. Cada resgate consumia energia e oferecia aos governantes derrubados alguns segundos para atacá-la.

— Eu usei a população como ameaça — disse Athena.

— Você acreditava que ela nos levaria para formar um exército — respondeu Falarin. — E estava certa sobre o exército.

— Isso não responde ao que eu fiz.

Falarin baixou os olhos. Pessoas morreram durante a retirada. Ele não sabia quantas foram atingidas pelo calor, pelos combates ou pelos portais. Lembrava-se de Athena reduzindo a temperatura sempre que Elaryan demorava a retornar e elevando-a outra vez quando ela se aproximava. Lembrava também de Elaryan voltar repetidas vezes para buscar grupos que não tinham qualquer valor militar aparente.

No fim, Olimpo ficou vazio. Poseidon, Zeon, Afrodite e outros desapareceram pelos portais. Athena permaneceu porque ambas haviam esgotado quase toda a energia. Falarin viu Elaryan aproximar-se dela antes de uma descarga atravessar seu cérebro. Como não havia mais ninguém à vista, durante séculos acreditou que a intervenção partira da invasora.

Athena despertou sozinha entre cidades abandonadas. Sem memória da disputa, recebeu novos renascidos e reconstruiu o planeta. Séculos depois, Olimpo seria atacado e esvaziado outra vez.

— Como você se lembra? — perguntou Trovar.

Falarin tocou a própria cabeça.

— O bloqueio era dela. Quem foi levado conservou partes da história. Quem ficou com Athena recebeu uma rainha sem passado.

Os destinos dos governantes haviam se separado. Apolo acabou preso em Atlas. Perséfone foi mantida por Hades em Ux. Alguns aceitaram servir Elaryan; outros passaram a chamá-la de inimiga. Falarin não sabia quais acordos haviam sido voluntários.

— E você serviu Ares — disse Athena.

— Servi quem dizia que um dia nos levaria de volta a Olimpo. Quando vi você, entendi por que essa promessa nunca tinha nome.

Athos perguntou se Athena permitiria uma tentativa de estimular as regiões atingidas pelo bloqueio. Ela concordou. Ele aplicou uma descarga breve, muito menor do que a usada por Elaryan. Athena viu uma praça, sentiu calor sobre a pele e ouviu alguém gritar para que ela parasse. A imagem desapareceu antes que reconhecesse a voz.

Athos tentou outra frequência. A dor fez Athena afastar a mão dele.

— Chega.

O bloqueio não cedeu. Athos poderia insistir, porém não sabia se recuperaria lembranças ou produziria danos que apenas o autor da intervenção saberia evitar.

Drácula olhou para as prisões suspensas sobre a praça.

— Podemos interrogar todos eles ou visitar quem enviou os ataques.

Hades ainda controlava o subsolo, mantinha Perséfone e possuía acesso às histórias que Falarin não conseguia completar. O conselho decidiu permanecer responsável pelos prisioneiros e pela proteção da cidade. Maeli exigiu que Athos não transformasse a ausência deles em outra autorização para governar à distância.

Athena quis entrar sozinha no domínio de Hades.

— Se essa história for verdadeira, parte dela começou comigo.

— Então você merece testemunhas — respondeu Trovar.

Athos abriu uma passagem para fora da cidade.

— Vamos juntos. Lá dentro, ninguém decide pelos outros usando uma história que ainda não conseguimos confirmar.

Falarin pediu que trouxessem Perséfone. Athena respondeu que primeiro precisavam descobrir se ela queria ser trazida.

O grupo deixou a Cidade da Paz sem saber se procurava um inimigo, uma testemunha ou mais uma versão construída para conduzi-los.

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