Apóstrofe À Carne Eu e Outras Poesias · Capítulo 60 de 208
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Apóstrofe À Carne

Quando eu pego nas carnes do meu rosto

Pressinto o fim da orgânica batalha:

-- Olhos que o húmus necrófago estracalha,

Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto...

E o Homem -- negro heteróclito composto,

Onde a alva flama psíquica trabalha.

Desagrega-se e deixa na mortalha

O tato, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de mônadas bastardas.

Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,

A dardejar relampejantes brilhos.

Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,

Em tua podridão a herança horrenda,

Que eu tenho de deixar para os meus filhos!

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