As Montanhas Eu e Outras Poesias · Capítulo 93 de 208
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As Montanhas

I

Das nebulosas em que te emaranhas

Levanta-te, alma, e dize-me, afinal,

Qual é, na natureza espiritual,

A significação dessas montanhas!

Quem não vê nas graníticas entranhas

A subjetividade ascensional

Paralisada e estrangulada, mal

Quis erguer-se a cumíadas tamanhas?!

Ah! Nesse anelo trágico de altura

Não serão as montanhas, porventura,

Estacionadas, íngremes, assim,

Por um abortamento de mecânica,

A representação ainda inorgânica

De tudo aquilo que parou em mim?!

II

Agora, oh! deslumbrada alma, perscuta

O puerpério geológico interior,

De onde rebenta, em contrações de dor,

Toda a sublevação da crusta hirsuta!

No curso inquieto da terráquea luta

Quantos desejos férvidos de amor

Não dormem, recalcados, sob o horror

Dessas agregações de pedra bruta?!

Como nesses relevos orográficos,

Inacessíveis aos humanos tráficos

Onde sóis, em semente, amam jazer,

Quem sabe, alma, se o que ainda não existe

Não vive em gérmem no agregado triste

Da síntese sombria do meu Ser?!

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