Soneto 10 Eu e Outras Poesias · Capítulo 152 de 208
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Soneto 10

Senhora, eu trajo o luto do Passado,

Este luto sem fim que é o meu Calvário

E ansio e choro, delirante e vário,

Sonâmbulo da dor angustiado.

Quantas venturas que me acalentaram!

Meu peito túm’lo do prazer finado

Foi outrora do riso abençoado,

O berço onde as venturas se embalaram.

Mas não queiras saber nunca risonha

O mistério d’um peito que estertora

E o segredo d’um’alma que não sonha!

Não, não busques saber porque, Senhora,

É minha sina perenal, tristonha

-- Cantar o Ocaso quando surge a Aurora.

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