O Condenado Eu e Outras Poesias · Capítulo 104 de 208
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O Condenado

Folga a Justica e Geme a natureza

Bocage

Alma feita somente de granito,

Condenada a sofrer cruel tortura

Pela rua sombria d’amargura

-- Ei-lo que passa -- réprobo maldito.

Olhar ao chão cravado e sempre fito,

Parece contemplar a sepultura

Das suas ilusões que a desventura

Desfez em pó no hórrido delito.

E, à cruz da expiação subindo mudo,

A vida a lhe fugir já sente prestes

Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.

O mundo é um sepulcro de tristeza.

Ali, por entre matas de ciprestes,

Folga a justiça e geme a natureza.

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