Mãos Eu e Outras Poesias · Capítulo 89 de 208
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Mãos

Há mãos que fazem medo

Feias agregaçõs pentagonais,

Umas, em sangue, a delinqüentes natos,

Assinalados pelo mancinismo,

Pertencentes talvez...

Outras, negras, a farpas de rochedo

Completamente iguais...

Mãos de linhas análogas e anfratos

Que a Natureza onicriadora fez

Em contraposição e antagonismo

Às da estrela, às da neve, às dos cristais.

Mãos que adquiriram olhos, pituitárias

Olfativas, tentáculos sutis,

E à noite, vão cheirar, quebrando portas

O azul gasofiláceo silencioso

Dos tálamos cristãos.

Mãos adúlteras, mãos mais sangüinárias

E estupradoras do que os bisturis

Cortando a carne em flor das crianças mortas.

Monstruosíssimas mãos,

Que apalpam e olham com lascívia e gozo

A pureza dos corpos infantis.

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