O Mar Eu e Outras Poesias · Capítulo 116 de 208
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O Mar

O mar é triste como um cemitério;

Cada rocha é uma eterna sepultura

Banhada pela imácula brancura

De ondas chorando num alvor etéreo.

Ah! dessas vagas no bramir funéreo

Jamais vibrou a sinfonia pura

Do Amor; lá, só descanta, dentre a escura

Treva do oceano, a voz do meu saltério!

Quando a cândida espuma dessas vagas,

Banhando a fria solidão das fragas,

Onde a quebrar-se tão fugaz se esfuma,

Reflete a luz do sol que já não arde,

Treme na treva a púrpura da tarde,

Chora a Saudade envolta nesta espuma!

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