O Riso Eu e Outras Poesias · Capítulo 182 de 208
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O Riso

“Ri, coração, tristíssimo palhaço”.

Cruz e Sousa

O Riso -- o valtairesco clown -- quem mede-o?!

-- Ele, que ao frio alvor da Mágoa Humana,

Na Via-Láctea fria do Nirvana,

Alenta a Vida que tombou no Tédio!

Que à Dor se prende, e a todo o seu assédio,

E ergue à sombra da dor a que se irmana

Lauréis de sangue de volúpia insana,

Clarões de sonho em nimbos de epicédio!

Bendito sejas, Riso, clown da Sorte

-- Fogo sagrado nos festins da Morte

-- Eterno fogo, saturnal do Inferno!

Eu te bendigo! No mundano cúmulo

És a Ironia que tombou no túmulo

Nas sombras mortas de um desgosto eterno!

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