Soneto 14 Eu e Outras Poesias · Capítulo 171 de 208
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Soneto 14

Na etérea limpidez de um sonho branco,

Lúcia sorriu-se à bruma nevoenta,

E a procela chorou n’um fundo arranco

De mágoa triste e de paixão violenta.

E Lúcia disse à bruma lutulenta:

-- Foge, senão co’o o meu olhar te espanco!

E eu vi que, à voz de Lúcia, grave e lenta,

O céu tremia em seu trevoso flanco.

Fulgia a bruma para sempre. A vida

Despontava na aurora amortecida

À rutilância mágica do dia.

Aquele riso despertava a aurora!

E tudo riu-se, e como Lúcia, agora,

O sol, alegre e rubro, também ria!

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