A Fome E O Amor Eu e Outras Poesias · Capítulo 75 de 208
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A Fome E O Amor

A um monstro

Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,

Receando outras mandíbulas e esbangem,

Os dentes antropófagos que rangem,

Antes da refeição sanguinolenta!

Amor! E a satiríase sedenta,

Rugindo, enquanto as almas se confrangem,

Todas as danações sexuais que abrangem

A apolínica besta famulenta!

Ambos assim, tragando a ambiência vasta,

No desembestamento que os arrasta,

Superexcitadíssimos, os dois

Representam, no ardor dos seus assomos,

A alegoria do que outrora fomos

E a imagem bronca do que inda hoje sois!

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