Soneto 17 Eu e Outras Poesias · Capítulo 183 de 208
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Soneto 17

Vamos, querida! Já é Ave-Maria

-- A hora dos tristes e dos descontentes.

Desfaz-se o peito em vibrações dormentes

E o Fado geme sob a névoa fria!

Que eu sinta n’alma o que tu n’alma sentes!

Nesta Missa de Atroz Melancolia

Bebes chorando o Vinho da Agonia

-- Consagração das almas padecentes!

Foi numa tarde assim que nos amamos.

Silfos morriam... No ar, os gaturamos

Num recesso de névoa, adormecida...

Punge-me o peito da Saudade o cardo

Enquanto num mocho, sonolento e tardo,

Canta no espaço a maldição da Vida!

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