Soneto 15 Eu e Outras Poesias · Capítulo 173 de 208
Obra Menu

Soneto 15

O Templo da Descrença -- ei-lo que avisto. A imensa

Cruz da Dor está serena como um lírio!

E vejo o pedestal que sustenta o Martírio;

E vejo o pedestal que sustenta a Descrença!

-- A colunata êxul do Sonho Morto -- o círio

Da Quimera Falaz, o túmulo da Crença,

Tudo! até o altar onde a Angústia vibra intensa

N’uma fúria assombral de feras em delírio!

Penetro louco enfim o abismo funerário,

E a rasgar, a rasgar o lúrido sacrário,

Em mim como no Templo a Angústia se condensa,

E em mim como no Templo, urnas de Sonho; e, em bando,

Flores mortas da Aurora, e, eu sombrio chorando

Ante a imagem fatal do Sepulcro da Crença!

1/1
Menu

Fazer anotação