Parte I, Lira XXIII Marília de Dirceu · Capítulo 23 de 96
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Parte I, Lira XXIII

Num sítio ameno

Cheio de rosas,

De brancos lírios,

Murtas viçosas;

Dos seus amores

Na companhia

Dirceu passava

Alegre o dia.

Em tom de graça

Ao terno amante

Manda Marília

Que toque e cante.

Pega na lira

Sem que a tempere;

A voz levanta

E as cordas fere.

C'os doces pontos

A mão atina,

E a voz iguala

À voz divina.

Ela, que teve

De rir-se à ideia,

Nem move os olhos

De assombro cheia:

Então, Cupido

Aparecendo,

À Bela fala

Assim dizendo:

"Do teu amado

A lira fias,

Só porque dele

Zombando rias?

"Quando num peito

Assento faço,

Do peito subo

À língua e braço.

"Nem creias que outro

Estilo tome,

Sendo eu o mestre,

A ação teu nome."

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