Soneto 3 Marília de Dirceu · Capítulo 84 de 96
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Soneto 3

Enganei-me, enganei-me - paciência!

Acreditei às vezes, cri, Ormia,

Que a tua singeleza igualaria

A tua mais que angélica aparência.

Enganei-me, enganei-me - paciência!

Ao menos conheci que não devia

Pôr nas mãos de uma externa galhardia

O prazer, o sossego e a inocência.

Enganei-me, cruel, com teu semblante,

E nada me admiro de faltares,

Que esse teu sexo nunca foi constante.

Mas tu perdeste mais em me enganares:

Que tu não acharás um firme amante,

E eu posso de traidoras ter milhares.

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