Parte II, Lira XXIX Marília de Dirceu · Capítulo 62 de 96
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Parte II, Lira XXIX

Eu descubro procurar-me

Gentil mancebo e louro;

Trazia a testa adornada

Com folhas de verde louro.

Vejo ser o Pai das Musas,

E me entrega a lira d'ouro.

Já basta, me diz, ó filho,

Já basta de sentimento;

O cansado peito exige

Um breve contentamento:

Louva a formosa Marília

Ao som do meu instrumento.

Firo as cordas; mas que importa?

A dor não sossega entanto:

Ergo a voz; então reparo

Que, quanto mais corre o pranto,

É mais doce e mais sonoro

Meu terno e saudoso canto.

Apolo fitou os olhos

Na mão que regia o braço;

E depois de estar suspenso,

De me ouvir um largo espaço,

Assim diz: O Deus Cupido

Faz inda mais do que eu faço.

Eu te dou a minha lira:

Louva, louva a tua Bela;

Porém vê que ta concedo

Com condição, e cautela...

Eu lhe corto a voz dizendo,

Que só canto eM honra dela.

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