Soneto 14 Marília de Dirceu · Capítulo 95 de 96
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Soneto 14

Quando o torcido buço derramava

Terror no aspecto ao português sisudo,

Quando, sem pó nem óleo, o pente agudo,

Duro, intonso, o cabelo em laço atava.

Quando contra os irmãos o braço armava

O forte Nuno, apondo escudo a escudo:

Quando a palavra, que prefere a tudo,

Com a barba arrancada João firmava.

Quando a mulher à sombra do marido

Tremer se via; quando a lei prudente

Zela o sexo do civil ruído;

Feliz então, então só inocente

Era de Luso o reino. Oh! bem perdido!

Ditosa condição, ditosa gente!

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