Parte II, Lira XVIII Marília de Dirceu · Capítulo 51 de 96
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Parte II, Lira XVIII

Não molho, Marília,

De pranto a masmorra

Que o terno Cupido

Não voe, não corra,

A i-lo apanhar.

Estende-o nas asas,

Sobre ele suspira,

Por fim se retira,

E vai-lo levar.

Se o moço não mente,

Os tristes gemidos,

Os ais lastimosos

Os guarda unidos,

Marília, c'os teus;

As lágrimas nossas

No seio amontoa,

Forma asas, e voa,

Vai pô-las nos Céus.

A Deusa formosa,

Que amava aos Troianos,

Livrá-los querendo

De riscos, e danos,

A Jove buscou.

As águas, que o rosto

Da Deusa banharam,

A Jove abrandaram,

Assim os salvou.

Confia-te, ó Bela,

Confia-te em Jove,

Ainda se abranda,

Ainda se move

Com ânsias de amor.

O pranto de Vênus,

Que obrou no pai tanto,

Não tem que o teu pranto

Apreço maior.

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