Parte II, Lira XIII Marília de Dirceu · Capítulo 46 de 96
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Parte II, Lira XIII

Vês, Marília, um cordeiro

De flores enramado,

Como alegre corre

A ser sacrificado?

O Povo para Templo já concorre;

A Pira sacrossanta já se acende;

O Ministro o fere, ele bala, e morre.

Vês agora o novilho,

A quem segura o laço,

No chão as mãos especa,

Nem quer mover um passo.

Não conhece que sai de um mau terreno;

Que o forte pulso, que a seguir o arrasta,

O conduz a viver num campo ameno.

Ignora o bruto como

Lhe dispomos a sorte;

Um vai forçado à vida,

Vai outro alegre à morte:

Nós temos, minha bela, igual demência;

Não sabemos os fins, com que nos move

A sábia, oculta Mão da Providência.

De Jacó ao bom filho

Os maus matar quiseram.

De conselho o muraram.

Como escravo o venderam.

José não corre a ser um servo aflito;

Vai subindo os degraus, por onde chega

A ser um quase Deus no grande Egito.

Quem sabe o Destino

Hoje, ó Bela, me prende.

Só porque nisto de outros

Mais danos me defende?

Pode ainda raiar um claro dia.

Mas quer raie, quer não, ao Céu adoro;

E beijo a santa mão, que assim me guia.

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