Parte II, Lira XXX Marília de Dirceu · Capítulo 63 de 96
Obra Menu

Parte II, Lira XXX

O Pai das Musas,

O Pastor louro,

Deu-me, Marília,

Para cantar-te

A lira de ouro.

As cordas firo;

O brando vento

Teus dotes leva

Nas brancas asas

Ao firmamento.

O teu cabelo

Vale um tesouro;

Um só me adorna

A sábia fronte

Melhor que o louro.

Nesses teus olhos

Amor assiste;

Deles faz guerra;

Ninguém lhe foge,

Ninguém resiste.

Algumas vezes

Eu o diviso

Também oculto

Nas lindas covas

Que faz teu riso.

Nesses teus peitos

Têm os seus ninhos

Destros Amores;

Neles se geram

Os cupidinhos.

Vences a Vênus,

Quando com arte

As armas toma,

Porque mais prenda

Ao fero Marte.

Eu produzia

Estas ideias

Quando, Marília,

O som escuto

De vis cadeias.

Dou um suspiro,

Corre o meu pranto;

E inda bebendo

Lágrimas tristes

De novo canto:

Sou da constância

Um vivo exemplo:

E vós, ó ferros,

Honrareis inda

De Amor o Templo.

1/1
Menu

Fazer anotação