Parte II, Lira XXII Marília de Dirceu · Capítulo 55 de 96
Obra Menu

Parte II, Lira XXII

Por morto, Marília,

Aqui me reputo:

Mil vezes escuto

O som do arrastado,

E duro grilhão.

Mas, ah! que não reme,

Não treme de susto

O meu coração.

A chave lá soa

No porta segura;

Abre-se a escura,

Infame masmorra

Da minha prisão.

Mas, ah! que não treme,

Não treme de susto

O meu coração.

Já o Torres se assenta;

Carrega-me o rosto;

Do crime suposto

Com mil artifícios

Indaga a razão.

Mas, ah! que não treme,

Não treme de susto

O meu coração.

Eu vejo, Marília,

A mil inocentes,

Nas cruzes pendentes

Por falsos delitos,

Que os homens lhes dão.

Mas, ah! que não treme,

Não treme de susto

O meu coração.

Se penso que posso

Perder o gozar-te,

E a glória de dar-te

Abraços honestos,

E beijos na mão.

Marília, já treme,

Já treme de susto

O meu coração.

Repara, Marília,

O quanto é mais forte

Ainda que a morte,

Num peito esforçado,

De amor a paixão.

Marília, já treme,

Já treme de susto

O meu coração.

1/1
Menu

Fazer anotação