Soneto 2 Marília de Dirceu · Capítulo 83 de 96
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Soneto 2

Num fértil campo de soberbo Douro,

Dormindo sobre a relva, descansava,

Quando vi que a Fortuna me mostrava

Com alegre semblante o seu tesouro.

De uma parte, um montão de prata e ouro

Com pedras de valor o chão curvava;

Aqui um cetro, ali um trono estava,

Pendiam coroas mil de grama e louro.

— Acabou - diz-me então - a desventura:

De quantos bens te exponho qual te agrada,

Pois benigna os concedo, vai, procura.

Escolhi, acordei, e não vi nada:

Comigo assentei logo que a ventura

Nunca chega a passar de ser sonhada.

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