Parte II, Lira XIV Marília de Dirceu · Capítulo 47 de 96
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Parte II, Lira XIV

Alma digna de mil Avós Augustos!

Tu sentes, tu soluças,

Ao ver cair os justos;

Honras as santas leis da Humanidade:

E os teus exemplos deve

Gravar com letras de ouro no seu Templo

A cândida Amizade.

Não é, não é de Herói uma alma forte,

Que vê com rosto enxuto

No seu igual a morte.

Não é também de Herói um peito duro,

Que a sua glória firma

Em que lhe não resiste ao ferro, e fogo,

Nem legião, nem muro.

Oh! quanto ousado Chefe me namora,

Quando vê a cabeça

Do bom Pompeu, e chora!

É grande para mim, quem move os passos,

E de Dario aos filhos,

Que como escravos seus tratar pudera,

Recebe nos seus braços.

Se alcança Eneias, capitão piedoso,

Entre os Heróis do Mundo

Um nome glorioso,

Não é, porque levanta uma cidade;

É sim, porque nos ombros

Salvou do incêndio ao Pai, a quem destina

A mão de longa idade.

Ah! se ao meu contrário entre as chamas vira,

Eu mesmo, sim, da morte

Aos ombros o remira.

Inda por ele muito mais obrara.

E se nada servisse,

Fizera então, Amigo, o que fizeste;

Gemera, e suspirara.

Oh! quanto são duráveis as cadeias

De uma amizade, quando

Se dão iguais ideias!

Se apesar dos estorvos se sustinha

Nossa união sincera,

Foi por ser a minha alma igual à tua,

E a tu igual à minha.

Se o caro Amigo te merece tanto,

Lá lhe fica a sua alma,

Limpa-lhe o terno pranto.

De quem eu falo, és tu, Marília bela.

Ah! sim, honrado Amigo,

Se enxugar não puderes os seus olhos,

Pranteia então com ela.

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