Jó 24 A Bíblia Sagrada · Capítulo 460 de 1162
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Jó 24

Por que o Todo-poderoso não separa tempos para julgamento? Por que os que o conhecem não veem seus dias?

Há quem mude marcos de divisa, roube rebanhos e os leve para pastar.

Tiram o jumento dos órfãos e tomam em penhor o boi da viúva.

Empurram os necessitados para fora do caminho; os pobres da terra se escondem juntos.

Como jumentos selvagens no deserto, eles saem para o trabalho, buscando alimento; o ermo lhes dá comida para os filhos.

Ceifam no campo alheio e recolhem as uvas da vinha do perverso.

Fazem o nu passar a noite sem roupa, sem cobertura contra o frio.

Molhados pelas chuvas dos montes, abraçam a rocha por falta de abrigo.

Arrancam do peito o órfão e tomam penhor do pobre.

Fazem os pobres andar nus, sem roupa; carregam feixes enquanto passam fome.

Dentro dos muros, espremem azeite; pisam lagares e ainda têm sede.

Da cidade vem o gemido dos homens; a alma dos feridos clama, e Deus não acusa ninguém de insensatez.

Há os que se rebelam contra a luz; não reconhecem seus caminhos nem permanecem em suas veredas.

O assassino se levanta de madrugada, mata o pobre e o necessitado; durante a noite, age como ladrão.

O olho do adúltero espera o crepúsculo; ele diz: Olho nenhum me verá, e cobre o rosto.

Nas trevas, arrombam casas; de dia, ficam fechados. Desconhecem a luz.

A manhã é para eles sombra de morte; conhecem os terrores dessa sombra.

São rápidos sobre a superfície das águas; sua porção é amaldiçoada na terra, e ninguém se volta para suas vinhas.

A seca e o calor levam as águas da neve; o mundo dos mortos leva os que pecaram.

O ventre materno os esquece; o verme se alimenta deles com doçura. Deixam de ser lembrados, e a injustiça é quebrada como árvore.

Exploram a mulher estéril, que não deu à luz, e deixam a viúva sem benefício.

Deus arrasta os poderosos com sua força; quando ele se levanta, ninguém tem certeza da vida.

Ele lhes concede segurança, e eles se apoiam nela; seus olhos, porém, observam os caminhos deles.

São exaltados por pouco tempo, depois desaparecem; são abatidos, recolhidos como todos, cortados como espigas maduras.

Se não é assim, quem me provará mentiroso e reduzirá minhas palavras a nada?

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