Jó 30 A Bíblia Sagrada · Capítulo 466 de 1162
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Jó 30

Agora riem de mim homens mais jovens que eu, filhos de gente cujos pais eu teria recusado colocar junto aos cães do meu rebanho.

De que me serviria a força de suas mãos, se neles já havia perecido o vigor?

Pela falta e pela fome ficavam mirrados; roíam a terra seca, em lugar escuro, devastado e desolado.

Colhiam malvas junto aos arbustos, e raízes de zimbro eram sua comida.

Eram expulsos do meio do povo; gritavam contra eles como contra ladrões.

Moravam nas ravinas dos vales, em cavernas da terra e das rochas.

Entre os arbustos zurravam; juntavam-se debaixo das urtigas.

Eram filhos de insensatos, gente sem nome, enxotada da terra.

Agora sou sua canção; tornei-me provérbio para eles.

Eles me detestam, afastam-se de mim e cospem sem reserva diante do meu rosto.

Porque Deus afrouxou minha corda e me humilhou; eles também largaram o freio diante de mim.

À minha direita se levanta a ralé; empurram meus pés e erguem contra mim seus caminhos de destruição.

Desfazem minha vereda, promovem minha queda; ninguém os impede.

Entram por larga brecha; avançam por entre ruínas.

Terrores se voltam contra mim; perseguem minha honra como vento, e minha salvação passa como nuvem.

Agora minha alma se derrama dentro de mim; dias de aflição me agarram.

À noite meus ossos são perfurados em mim, e as dores que me roem descansam.

Pela grande força, minha roupa se desfigura; aperta-me como a gola da túnica.

Deus me lançou na lama, e me tornei semelhante ao pó e à cinza.

Clamo a ti, e tu não me respondes; fico de pé, e apenas olhas para mim.

Tu te tornaste cruel comigo; com a força da tua mão me atacas.

Levantas-me ao vento, fazes-me cavalgar sobre ele e me dissolves na tempestade.

Pois sei que me levarás à morte, à casa destinada a todo vivente.

Acaso ninguém estende a mão ao arruinado, quando ele clama em sua calamidade?

Por acaso eu não chorei pelo que tinha dias difíceis? Minha alma não se afligiu pelo necessitado?

Quando eu esperava o bem, veio o mal; quando aguardava a luz, veio a escuridão.

Minhas entranhas fervem sem descanso; dias de aflição vêm ao meu encontro.

Ando escurecido, sem calor do sol; levanto-me na assembleia e clamo.

Tornei-me irmão dos chacais e companheiro das avestruzes.

Minha pele escurece e cai de mim; meus ossos queimam de febre.

Minha harpa se tornou pranto, e minha flauta, voz dos que choram.

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