Lamentações 2 A Bíblia Sagrada · Capítulo 788 de 1162
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Lamentações 2

Como o Senhor cobriu de nuvem, em sua ira, a filha de Sião. Lançou do céu à terra a beleza de Israel e não se lembrou do escabelo dos seus pés no dia da sua ira.

O Senhor tragou sem piedade todas as moradas de Jacó. Derrubou em seu furor as fortalezas da filha de Judá, lançou-as por terra e profanou o reino e seus príncipes.

Cortou, no ardor da ira, todo o poder de Israel. Retirou sua mão direita diante do inimigo e ardeu contra Jacó como fogo flamejante, consumindo ao redor.

Armou seu arco como inimigo, firmou sua mão direita como adversário e matou tudo o que era agradável aos olhos na tenda da filha de Sião. Derramou sua indignação como fogo.

O Senhor se tornou como inimigo; tragou Israel, tragou todos os seus palácios, destruiu suas fortalezas e multiplicou na filha de Judá lamento e pranto.

Arrancou sua cabana como jardim, destruiu o lugar da sua assembleia. O Senhor fez esquecer em Sião festa e sábado. Em sua ira indignada rejeitou rei e sacerdote.

O Senhor rejeitou seu altar, desprezou seu santuário e entregou nas mãos do inimigo os muros dos seus palácios. Eles levantaram grito na casa do Senhor como em dia de festa.

O Senhor decidiu destruir o muro da filha de Sião. Estendeu a linha, não retirou a mão de destruir. Fez o antemuro e o muro lamentarem; juntos enfraqueceram.

Suas portas afundaram na terra; ele destruiu e quebrou seus ferrolhos. Seu rei e seus príncipes estão entre as nações. A lei já não se acha, e seus profetas não encontram visão da parte do Senhor.

Sentam-se no chão, em silêncio, os anciãos da filha de Sião. Lançaram pó sobre a cabeça e vestiram pano de saco. As virgens de Jerusalém inclinam a cabeça até a terra.

Meus olhos se gastam em lágrimas, minhas entranhas se agitam, meu fígado se derrama por terra, por causa da ruína da filha do meu povo, porque crianças e bebês desfalecem nas ruas da cidade.

Dizem às suas mães: Onde há trigo e vinho? Desfalecem como feridos nas ruas da cidade, enquanto sua vida se derrama no colo de suas mães.

Que testemunho te darei? A que te compararei, filha de Jerusalém? A quem te igualarei para consolar-te, virgem filha de Sião? Tua ferida é grande como o mar. Quem te curará?

Teus profetas viram para ti falsidade e insensatez. Não revelaram tua culpa para restaurar tua sorte; viram para ti mensagens falsas e causas de exílio.

Todos os que passam pelo caminho batem palmas contra ti. Assobiam e meneiam a cabeça contra a filha de Jerusalém, dizendo: Esta é a cidade chamada perfeição de beleza, alegria de toda a terra?

Todos os teus inimigos abrem a boca contra ti. Assobiam e rangem os dentes; dizem: Nós a tragamos. Este é o dia que esperávamos. Achamos, vimos.

O Senhor fez o que planejou; cumpriu sua palavra, que ordenou desde os dias antigos. Derrubou sem piedade, fez o inimigo alegrar-se sobre ti e exaltou o poder dos teus adversários.

O coração deles clamou ao Senhor. Ó muralha da filha de Sião, derrama lágrimas como torrente, dia e noite. Não te dês descanso, e a menina dos teus olhos nada repouse.

Levanta-te, clama de noite, no princípio das vigílias. Derrama teu coração como água diante da face do Senhor. Levanta a ele as mãos pela vida dos teus pequenos, que desfalecem de fome na entrada de todas as ruas.

Vê, Senhor, e contempla. A quem trataste assim? Comeriam as mulheres o fruto de seu ventre, os pequenos que carregaram? Seriam mortos no santuário do Senhor sacerdote e profeta?

Jazem por terra, nas ruas, menino e velho. Minhas virgens e meus jovens caíram à espada. Mataste-os no dia da tua ira, abateste sem piedade.

Chamaste meus terrores de todos os lados, como em dia de festa. No dia da ira do Senhor, ninguém escapou nem sobreviveu. Aqueles que embalei e criei, meu inimigo consumiu.

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